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domingo, 31 de outubro de 2010

Utopia

     Quem sabe quando podemos ser contaminados pelo bichinho da utopia? Como explicar a sensação de fracasso e frustração de viver num mundo sem limites e ao mesmo tempo limitado a ponto de impedir movimentos que se faça no sentido de alcançar a realidade de um sonho? Como explicar o sabor amargo da excentricidade? Como dizer a si mesmo que o tempo em que estivera na batalha da busca pela felicidade não passara de um sonho, e que neste, fostes derrotado pelas forças do "acaso"? Por que motivo acreditar no acaso do futuro, quando, na verdade, não se acredita nem na própria constatação da doçura do presente? E o presente? Quem nos deu esse presente nostálgico, que nos faz sentir saudades do que nunca tivemos?
      Tantas perguntas me remetem a acreditar que todo tempo estive sedado, e que agora acordado, ainda meio anestesiado, começo a ver a dura realidade; implacável se faz sentida e arranca a inocência de sonhador. É difícil acreditar que durante um momento da eternidade estive sob domínio da utopia. Em saber que tudo poderia ter sido real. Em pensar que no raio de um instante tudo esteve tão perto e que por um segundo pude experimentar o calor indistinto de ser feliz. Ela estava ali; tão próximo quanto poderia estar. Era a personificação da beleza e perfeição com que sonhara há tempos. Bastava um olhar em sua direção para saber que se eu a tivesse para mim, nada mais importaria, pois nela, havia um brilho, um sabor, um cheiro, um som. Um brilho que fazia vibrar, um sabor que fazia derreter, um cheiro que fazia entorpecer, um som que fazia em devaneios no próprio sonho.
      O mundo dos sonhos são como labirintos, quando dentro dele nos sentimos perdidos na doce ilusão de ser quem não somos, de ter quem ou o que não temos, de ver o que não vemos, de viver o que não vivemos. Tal qual os labirintos, o mundo dos sonhos nos faz perder a noção da realidade, embaraçando nossos sentidos e nos entorpecendo de forma elouquecedoura.
      Não raros são os dias em que no sentimos alquimistas ridículos, que acreditam em coisas ‘impossíveis", e não obstante, arrastamos um monte de pessoas fazendo-as acreditar também na a promessa de algo tão incerto quanto à megalomania dos nossos sonhos. Importante é sonhar. Mas, porque sonhar? Porque sonhar quando na verdade o que conta mesmo afinal de contas, é a beleza gélida da realidade? Talvez, porque somos dependentes de algo que nos faça acreditar no que podemos realizar com a força da vontade e da fé, mesmo que no decorrer dos anos nunca consigamos provar isso.
      Ver a realidade  num plano diferente dos nossos sonhos, e se conscientizar disso, nos induz a experimentar o gosto adstringente de uma derrota sem luta, uma dor aguda sem analgésico que a faça cessar, uma fraqueza na carne que nos faz tremer de medo, um medo estranho do depois. O silêncio em nossa alma grita estridentemente, buscando por respostas que o tempo insiste em nos dar de forma parcelada, o que nos leva quase à loucura de tanta ansiedade. Difícil mesmo, é quando se sofre calado e sozinho num canto, desnorteado, e apesar da enorme vontade que se sente de gritar como um louco ou mesmo chorar copiosamente, o grito fica contido no peito e as lágrimas insistem em não cair. Os dias vem e vão, mas no deserto da desilusão a escuridão da noite se faz presente, como um presente dos deuses do mundo  inferior. Se se sente sede ou fome, não há líquido ou comida que nos satisfaça, pois a única coisa capaz saciar nossas necessidades não passa de um sonho, uma miragem, uma ilusão. Pura obra da ironia do senhor destino, que sabe-se lá o porquê, resolve satirizar nossas vidas com brincadeiras de mau gosto. Não é complicado entender tudo isso, complicado mesmo é aceitar. Aceitar como vacas de presépio. Aceitar as circunstâncias, por mais desagradáveis que sejam, confiantes em meio a vendavais, crentes de que acima das nuvens escuras há um sol que brilha.


"Ocê talvez não conhece o veneno que as cobras têm,
Pois elas quando dá o bote balança o guizo também,
A cascavel, traiçoeira quando ela quer se vingar,
Balança o guizo contente na hora dela pegar;
A urutú é perigosa, de ruim não se manifesta
É cobra tão venenosa que traz uma cruz na testa
Jaracuçu Deus nos livre quando ele chega a picar
Deixa o sinal de seus dentes e a cicatriz no lugar;
Mas eu lhe digo a verdade, por cobra eu já fui picado;
Por cascavel, caninana e urutú este malvado;
De todas já me livrei desse veneno amargura
Existe um contra-veneno por isso tudo se cura;
Mas tem uma cobra do mato, cabocla lá do sertão
Que traz veneno nos olhos e ataca no coração
Dessa uma vez fui picado, um dia só por maldade
Que ainda trago o veneno, na cicatriz da saudade
."

(Tião Carreiro & Pardinho, Cobra Venenosa)

José de Lima Cardozo Filho

sábado, 23 de outubro de 2010

Apreço Batido

Norte;
Ninguém, exceto Propósito
Silêncio!
Saiu por aí; ninguém mais viu.
Seguiu linha reta, invisível, sem distinção
dobrou a esquina
pintou o sete
Foi Rio Abaixo
Encontrar-se.

sábado, 16 de outubro de 2010

Um Micélio Oportunista

O que é o que é?
O que é o que parece ser? Não é?!
É fato passado, perpétuo
Passeia passarinho
Ainda pulsa o pulso firme
Eeô vida de gado
Elo democrático, festim
Viva,
É campanha eleitoral
 Na boca do povo, na voz de "deus"
Exímio rótulo comercial
O que é o que é?

 
"Há aqueles de toda estirpe!"

 
José de Lima Cardozo Filho

 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Experiência e Os Outros

Sentimentos alheios não fazem muito sentido sob a ótica egocêntrica que nos toma pensamentos e razão! Compreender aquilo que está para além das fronteiras de nossos macrosentidos é exercício árduo e moroso. Demanda vontade! Não é?

"Eu era um menino e agia feito um infante; e agora, José?"

José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Mentira e A Verdade

      - (...)!

      - Ela mentiu. Com a coragem que a distância deu, ela mentiu descaradamente!

      - Queres a verdade? Tens força suficiente para aguentar a densidade da verdade?

      - (...)

      - Poupe-se então da verdade, e sê feliz.

"`A verdade é bem uma maldição com a qual poucos conseguem lidar harmoniosamente!"


José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Generalidades

      O Amor
Quem sabe tanto sobre o amor que seja capaz de fazer uma só afirmação certeira sobre ele que não aquela que reza sobre suas incertezas?
   
      A Amizade
Já não sei sobre o que me fez amigos de uns raros. Aconteceu, simplesmente. Destes, ainda mais raros são aqueles que permaneceram na amizade. Também não sei sobre razões ou explicações plausíveis. Mas na amizade que ofereci assumi riscos e sofri sozinho pelas razões que não pude explicitar.

      Deus
Mistério; de todos, o maior!  


José de Lima Cardozo Filho

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Veredito Alheio

      Como julgar um homem?

      Por suas ações? Ou pelo que este é em seu íntimo? Poderia, eu, julgar um homem? Talvez. Mas que pesos devo usar para tal? Que pesos são justos para fazê-lo? Para que lado escolherei, arbitrariamente, fazer pender a balança? E eis, que eu, particularmente resolvi usar meus pesos. Os pesos da dúvida. Pois que sei eu sobre pesos? Serão iguais? Diferentes? Que sei eu sobre pesos e medidas para julgar um homem?

      Posso julgar um homem por suas ações, se há tantos pensamentos desconhecidos,tantas razões escondidas? Tenho esse lúgubre e sinistro direito de julgar homem algum? Não sei! Pois a mim, pesaria a espada da justiça. E a minha justiça é justiça de desconhecido. Não se trata de ser cauteloso ou covarde, pois tais atributos me são muito nobres. Trata-se de escolha. A escolha pelo desconhecido, pelo vazio sem respostas. Estou ali, nos ares nebulosos das interrogações obscuras! Bem ali a ser julgado pelos reflexos de labirintos de espelhos.

      Escolhi não pensar em razões, motivos. Escolhi o alheio aos meus julgamentos, pois estes últimos me são muito caros; preço que não posso pagar. Mas aqui, que haja lancetes de embriaguez lúcida. Que haja um julgamento. E que o faça quem tenha esse poder. Que o faça quem tenha os pesos e medidas sob custódia secreta. E assentenças espúrias? Danem-se as minhas dadas, a nós de nada valem. Contra mim, daqueles que como eu desconhecem pesos e medidas, valem nada!
     
      "O que define um homem? Seus atos ou seus pensamentos? Ora, a verdade nunca é clara ante olhares relativos, embora absoluta. O que faz de um homem um homem? O telencéfalo superdesenvolvido ou seu polegar opositor? Talvez, o que faça de um homem um homem sejam seus pensamentos, suas ideias; seu telencéfalo superdesenvolvido. Pois ainda que lhe cortassem o polegar opositor, ainda que lhe tomassem o direito de agir, ainda assim, lhe sobrariam os pensamentos e as ideias. Estou certo? Sei não! Prefiro não pensar em estar certo. Penso por compulsão, e penso não querer pensar em quase nada. Por isso, "há metafísica bastante em não pensar em nada¹!"."

¹Fernando Pessoa: O Guardador de Rebanhos.  


José de Lima Cardozo Filho

terça-feira, 20 de julho de 2010

Biotecnologia na Amazônia: "Tirando Leite de Onça"?

Prezados leitores do famigerado Tio na Zona,
recentemente tive a honra de escrever para o Biotecnologia na Amazônia, blog de um grande amigo meu. Na intenção de prestigiar o blog citado e agraciar vossa mercê, leitor, com uma leitura descontraída e conduzi-lo à reflexão de novas ideias e ideiais diferenciados, acesse aqui alguns de meus escritos sobre ciência e suas peculiaridades regionais.
Sem mais no momento, grato pela "fidelidade promíscua"!
Grande e forte abraço.

 José de Lima Cardozo Filho

sábado, 10 de julho de 2010

Brevidades do Amor

Este "post" pede concisão!
Ora, será o amor causa de autosubmissão? Será mesmo?
Ora, será o cárcere psicológico o preço do amor? Serão mesmo necessários esses abusos?
Ora, ora! Será essa violência disfarçada uma forma de amor, e como tal, justa? Será amor ou desespero essa transfiguração mutiladora do ser?
Que pairem pelas cabeças essas interrogações, se fizerem algum sentido, claro!

"... ainda que te cases, preserva teus amigos! Um dia saberás o valor de tê-los conservado."

José de Lima Cardozo Filho

terça-feira, 1 de junho de 2010

Orto, Meta e Para

      Ir adiante com a cabeça erguida e os olhos fixos no horizonte! Manter os pés no barro e sentir entrar nas narinas o sopro vital! Ter forças pra levantar todas as manhãs sem saber fazer aquela prece da qual você tanto precisa! Bocejo! Desejo! Um queijo! Mais um beijo...d'alma d'alguém distante na estante naquele instante bastante gigante? E(i)xo sem nexo conexo(?) perplexo(?) complexo(?) convexo(?)... orto, meta e/ou para doxo... Diferente posição dependente da p-referência; Faz-se de cor-a-ação pra man-ter a aparência (pálida);

"Escritos de 23 de Julho de 2009"

José de Lima Cardozo Filho

Você (Parte I)

      Antes de tudo, um olhar teu me fará feliz por um instante atemporal. Os teus sonhos serão meus sonhos também! A tua vida se confundirá com a minha e seremos um; seremos um de dois. Depois? A gente pensa no depois quando for inevitável; quando não houver agora. Viveremos como loucos desvairados. Abandonaremos o normal e seremos consumidos pela loucura própria dos amantes. Tomaremos como nossos os sonhos dos viajantes; e seremos egoístas como os jovens apaixonados. Nos esqueceremos do jantar, juntos, à beira de um riacho, cujas águas murmuram nossos nomes bem alto. Olharemos de longe, bem distante, os pores-do-sol e nos reconfortaremos um no espírito do outro. Roubaremos para nós os amanheceres dos domingos de outono. E viveremos a eternidade da cada momento. Na areia do quintal, desenharemos nosso destino; desenharemos o agora como se não houvesse, de fato, um destino depois, como se tivéssemos comprado o amanhã com o sem preço do nosso amor. Traçaremos a partitura de nossa canção com a mesma suavidade de sua pela branca, morena, amarela.


      Nestas linhas mal traçadas deposito o fruto de um devaneio, quiça uma utopia. Mas são sentimentos profundos, são histórias não vividas, não contadas. Um querer sem querer. Quisera eu o tempo todo que você quisesse comigo, na mesma frequencia, com intensidades desproporcionais. Quisera que substanciássemos esse abstrato sonho relegado às minhas lembranças esquecidas à força.
 
"Escritos de 08 de Abril de 2009"
 
José de Lima Cardozo Filho

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Bailarina II

"Sons e versos solitários de bandolins, depósito da solidão fortuita, tristeza e todo desejo explícito oculto de dimensões dilatadas. Pois é sofrer a alma andarilha, alma bandoleira a rodopiar pelos campos da loucura. Agudo é o som da saudade que recobre essa alma bailarina. Agudo esse som da loucura..."
"[...] que haja em mim toda a paz e a calma do esquecimento do perdão e do amor [...]"


José de Lima Cardozo Filho

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Parágrafo

      Lá na casa da cidade, há bilhetes espalhados no chão. Cheios de dizeres dispersos, tanto quanto pensamentos avulsos na memória fraca de quem escreve. Cheios de verdades e mentiras sinceras, esperando trazerem luz à escuridão da solidão do piso frio. Hão de se despir e mostrarem-se por inteiros aos que interessam com sinceridade ímpar de escritos de tempos quaisquer [tempos perdidos]. Frases sem sentido de amores [amor, profundo amor] e desamores sentidos. Verdades dúbias e questionáveis [porém não reprováveis, nem mesmo condenáveis] de quem escreve com tal aviesada linearidade. Por linhas tortas escreve certo quem escreveu os rascunhos lá do chão [frio] da casa.  

José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fonfoncé sem sentido...


Carlos Drummond de Andrade disse certa vez que o sentido da vida é buscar qualquer sentido, nesse contexto eu me insiro por inteiro, tenho tal afirmação quase como filosofia de vida. Digo quase, pois ainda guardo no peito muitos valores cristãos ou não cristãos, ocidentais ou não (sobretudo os primeiros) que permeiam a idéia que eu faço a respeito do sentido da minha vida. O fato é que, todos os meus planos e objetivos de vida, no tocante a vida pessoal, revoltaram-se com a minha forma ortodoxa de ver e levar as coisas, voltaram-se contra mim e me jogaram ao chão, permitindo-me acesso irrestrito a felicidade. Tudo mudou quando um certo “Fonfoncé sem sentido” trouxe-me tudo de mais exato e coerente que tenho hoje, trouxe-me certeza – essa que já não tinha há algum tempo –, trouxe-me fé, essa que por tanto tempo esteve sufocada dentro de mim, mas que agora brota como flor na sua época. E as minhas angústias e desprazeres com o mundo conseguem sempre ficar suportáveis, pequeninas diante da força de uma pequena... de uma pequena gigante que todo dia mostra-me como pode ser belo e saudável estar ao lado de alguém.


Leandro Costa

Vida flor, amor
















Vida-flor, amor, é sobreviver ao resquício de rotina
que retém em si a flor da vida
esconde-a do sol
nos entristece, desatina

Vida-amor, minha flor é te esperar
sabendo ser você a minha sina
minha companhia pra estrada
A quem mais quero
Para aquietar meu espírito
E não querer mais nada


Leandro Costa

domingo, 18 de abril de 2010

Vislumbre sem sentido...

Lírios são sempre lírios
Estejam eles em vasos
ou livres na beira de rios


Sonhos são sempre sonhos
Sejam pesadelos deploráveis
Ou sonhos lindos agradáveis

Reinos tem sempre reis
Que trazem até segurança
E no bojo, suas próprias vontades e leis


O tempo... é sempre o tempo
Traz sempre consigo resposta a contento
A toda ansiedade, dúvida, lamento.


Leandro Costa

Ah...

Ah, que eu grite essa saudade em lamentos através de um ataúde
Pois, tua ausência já é tanta que não evita que eu me frustre
E me abra os pulsos em versos loucos e sem saúde
Numa ânsia doentia para que só tu me entendas e escute

Ah, que o capitel de minhas pilastras não encontre fuste
Para que eu não construa templos para um amor tão sem virtude
Incapaz de renascer a cada sorriso teu, não importa o quanto que custe
Tão efêmero e sem eco, que há de morrer sem que ninguém o ajude

Ah, que eu encontre em outros olhos o interesse sem enruste
E que morram nesses olhos meu desejo e amplitude
Pois tais olhos não são teus, não tem ajuste!

Ah, que eu vença esses ‘alguéns’ e latitude
Que esses ‘outros’, são apenas a presença num embuste
E só teu cheiro e teu abraço permanecem em minha pele em amiúde.



Anie Line Figueira

sábado, 17 de abril de 2010

Miragem

Eu sorri num sorriso gargalhado intimamente quando ela me deixou! Devia ter chorado, como fiz da última vez, quando uma outra pessoa me deixou! Mas eu sorri, meio entristecido por ela ter partido, mas feliz por estar livre do pesar de amá-la preso num sentimento sufocante! Por incrível que pareça, eu pareço amadurecido, calejado pelas desventuras amorosas. Acho que deve ser assim mesmo. Quando eu era criança, um dia meu pai me levou para capinar*. No final da tarde, minhas mãos estavam cheias de calos! Meu pai então me chamou e disse: vamos resolver isto! Ele retirou da bainha da cintura um canivete afiado, pediu minhas mãos abertas, num ato passivo, e cortou todos os calos! Ali do lado ele já havia preparado uma pequena bacia com água e sal! Ele disse sério: coloque as mãos aí! Doeu, mas meninos não choram, ele disse! O tempo passou, e nas próximas vezes em que calos se formaram em minhas mãos, elas passavam pelo mesmo ritual. Com o tempo, o cabo da enxada já não podia mais me ferir, pois havia entre ele e eu uma harmonia! Eu estava pronto pra ele finalmente, embora ele já estivesse pronto para mim bem antes.
Creio que deve ser assim no amor. O amor desde sempre esteve pronto para nós, mas nós não estávamos pronto para ele! Aí a gente sofre, passa por maus momentos, mas a cada experiência o amor nos torna mais maduros, mais prontos para ele! Aí, chega um dia, em que haverá uma relação harmoniosa entre a gente e o amor!
Por isso eu ri descontrolavelmente quando ela foi embora! Foi na hora certa, se é que se fora mesmo, disse eu num resmungo íntimo! Pois eu estou compreendendo que o amor nos liberta; não nos faz prisioneiros! Acabamos confundindo os sentidos, por obra do nosso sentimento possessivo, sentimento do qual nos tornamos "cativados". 


"O que penso sobre tudo isso aqui? Penso que era aparentemente só mais um "oásis"! Nada comparado ao "paraíso"! Caminhar em busca do último é necessário! "...navegar é preciso e, viver não é preciso", mas necessário!"


José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Help My Self

Não queria ligar, não seria saudável e eu enfim não saberia se era por um sentimento que parecia continuar a inflar dentro de mim como uma bolha, que dessa vez, eu tinha certeza, não se tratar de puro e simples ego como no começo, mas de uma coisa que eu sabia ainda não estar pronta pra definir e até mesmo encarar, ou se era pura e simples posse, aquela mesma que se tem quando uma amiga pede emprestado “aquele” seu vestido favorito, que você já não usa por ter usado vezes demais, mas que também não quer mais ninguém usando, pela simples noção egocêntrica de que alguém além de você mesma possa vir a ficar bonita e feliz com ele...

Crua e sem remorso, aquela mesma posse da qual um dia eu já tinha sido vítima e que se ligasse e cobrasse pra continuar sendo sempre o centro das atenções eu consequentemente  estaria cometendo o mesmo erro, que hoje me pergunto se foi cometido de forma consciente, o que eu me pego acreditando que provavelmente sim, afinal, os loucos sempre sabem de si, mesmo que de relance, e o que é a posse se não uma espécie de patologia? Ainda que inconscientes ou mesmo plenamente conscientes os loucos sabem-se diferentes do resto das pessoas, ás vezes normais e felizes e ás vezes normais e medíocres...E naquele momento,mais  do que nos outros, se é que isso fosse possível, eu me sabia louca...Aquela pobre “Crazy Mary”!

Mas, o que tinha me incomodado mesmo, naquela noite que a vida parecia me apertar por dentro, era a pergunta que permeava os meus pensamentos, como as nuvens que permeiam as árvores saudáveis antes de atingi-las com um raio, se eu sabia que havia vítimas de seqüestro que acabavam se apaixonando pelo seqüestrador, pois é foi o que me disseram, que quando uma pessoa é aprisionada do resto do mundo alheia de tudo e de todos, a sua vida passa a depender única e exclusivamente do criminoso, depois disso qualquer ato do raptor vira um ato de salvação. Apesar de ele ser a causa de todo o mal. Fiquei pensando se aquela pessoa do passado havia se visto algum dia como o “seqüestrador” da forma como eu o via agora e que com um único telefonema carregado de ciúme ,de uma diversão que não era necessariamente causada por mim, e impelida de um charme que só eu me via possuindo, eu acabaria me tornando também...

A longo prazo cativar requer tempo, paciência e vontade, mas em primeira instância cativar requer acontecimento e  sagacidade, além de um toque de beleza e malícia. E quem cativa primeiro é o dono do cativeiro! Ninguém nunca para pra pensar na etimologia da palavra, mas cativeiro é isso, é aquele “estar-se preso por vontade”.

O que resta saber é se o cativante se tornará o “seqüestrador ” , transformando o cativeiro em gaiola ou se simplesmente deixará o cativado alçar vôo sozinho e voltar quando quiser e se quiser, sem se tornar escravo do sentimento que nutre  e sem perder a personalidade na tentativa de fazer que o alvo dos seus pensamentos cotidianos sinta o mesmo.

Porém, todas as vezes que o cativado puder vir a se tornar independente do sentimento que o aprisionou sem perder a capacidade de senti-lo é bem capaz do cativante ter se tornado também um cativado e só então poderá existir aquilo que raramente se ouve falar por aí: Amor Livre!  


Anie Line Figueira      

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só o Amor Liberta


Éramos crianças e os nossos sonhos eram razão para nossa liberdade;
as nossas histórias eram motivo de felicidade;
os nossos amores eram a nossa motivação para sonhar
e as nossas almas eram dotadas de sentimentos bonitos
desprovidos de angústias e dores amargas
os nossos movimentos não eram mecânicos
as nossas atitudes eram motivadas pelo nosso ímpeto juvenil
as nossas amizades eram sinceras
e os nossos sentimentos independentes das opiniões alheias.
Mas nós crescemos...
crescemos e perdemos parte daquela inocência infantil que tínhamos quando éramos crianças.
O que aconteceu conosco...
para onde foram nossos sentimentos, as nossas alegrias reais
os nossos amores sinceros...
Quero ter novamente para mim aquilo de que tenho saudades fúnebres.


"No fim, há sempre a possibilidade do início!"

José de Lima Cardozo Filho

Alforria

Quando você olha para trás e não vê pegadas dos seus próprios passos, quando o teu passado não lhe traz o peso da consciência, aí, creia; você fez o que tinha de ser feito! Quando você caminha em direção ao fim com a sensação de que não deixou nada escapar, de que absolutamente nada do que você deveria ter trazido ficou para trás, aí você tem a certeza de que tudo o que fizera foi o correto a se fazer! Quando você vê claramente que outros caminhos nada tinham a lhe oferecer, aí você felicita-se ao saber que fez tudo certo!
Meu pai disse certa vez: "Um homem faz aquilo que tem que fazer. E o que tem de ser feito é o que é certo. Todo mundo sabe o que é certo. Se não o fizer condena-se a si próprio a uma vida mesquinha e distante do que realmente é!"


"Jargões poliméricos em bocas desorientadas e disparadas em frases feitas! Nunca entendera o sentido. Resignou-se na mediocridade da monotonia de inflar o próprio ego. Nunca preocupou-se em fazê-lo realmente grande. Se negara terminantemente a cada oportunidade que tivera. Sorria, este é o livre arbítrio de um mundo livre!"


José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre Mim

Virou a esquina e o que lhe sobrara foram sonhos avulsos. A janela está entreaberta. Raio fino de esperança de sentidos esquisitos!


"Na verdade, eu nunca sei bem o que fazer. Tudo parece simplesmente confuso. Raros são os fatos que vejo com a clareza necessária."

José de Lima Cardozo Filho

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Intensa Mente

Se teus sonhos forem todo nessa toada , e se simplesmente quiseres, não adia atender à vontade, pois é vadia uma vida vazia. E se queres como todo, não te enchas com meio. Se não quiseres, vai-te adiante na caminhada que o caminho é todo teu. Não te permitas subtraí-lo de ti mesma! Escolha o caminho da vida e da verdade, ainda que haja loucura na tua viajem.

"Quando aquilo sugiu em meio à boreal, cresceu em mim, apertou o peito, desnorteou sentidos e senti cansaço sem igual!"

José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Vida é Breve

A vida é breve
Apaixona-te, doce senhora,
Equanto os teus lábios ainda estão vermelhos
E antes que tenhas frio.
Porque não existe nenhum amanhã...

*Ikiru, arte cinematográfica memorável e pura de Akira Kurosawa

terça-feira, 6 de abril de 2010

Destino

Cortou como fio de navalha afinada
Furtivo como pensamento veio e tomou devagar cada gole de desejo
E vagou feito fantasma na memória...

José de Lima Cardozo Filho

Menina

Ela fugia da sua realidade em festas. Buscava nas luzes solitárias da boate uma companhia que a fizesse esquecer o caminho, ou que pelo menos a fizesse sentir-se a caminho de algum lugar. Entre cores abstratas do neon fugia da solidão íntima que a pressionava o peito. Sentia-se só, sem saber se havia mesmo alguém. Olhava para os lados e tentava encontrar, mas o que lhe vinha aos olhos era solidão. Mais uma bebida encharcava-lhe os pensamentos como águas de novembro encharcam o chão. Em cada gole uma abstração induzida do seu caminho só. No fim da noite, as luzes de apagaram, o sons se calaram e o silêncio pungente da madrugada pesou sobre sua cabeça embriagada. Voltava pra casa, pra mesma casa de onde saíra há tanto. De onde fugira da solidão. Voltava ali e mais uma vez recostava-se sobre a cama fitando o teto numa tentativa cansada de encontrar respostas. Procurava uma razão para entender o caminho, uma razão que a fizesse sentir o caminho. Entre mergulhos no branco amarelado do teto do quarto em busca do seu mundo encontrou por um instante o mundo no qual ela já não se sentia esquisita. 

Na cidade raiava o dia e ela ainda não dormira. Perturbada pela estranha sensação da esquisitice resolveu então viajar. Deixar nas curvas das estradas seus anseios excêntricos, suas loucuras peculiares. Mas não sabia para onde ir e tudo no caminho lhe parecia desconfortavelmente estranho. Ainda se sentia só! Caíra a noite e com ela toda a solidão que lhe fizera companhia por toda a trilha. E caiu feito pedra. O vento no rosto disfarçava todas as saudades, uma distração travessa que lhe chamava a atenção no cruzamento das vias.

... e seu destino fora mudado pelas luzes do novo mundo. Na "cidade" estranha onde a ruas eram tortas e as pessoas confusas. Ali era seu lugar! 

"Hoje eu sinto um vazio que enche a alma! Saudade, solidão, amor, vontade..."

José de Lima Cardozo Filho

domingo, 21 de março de 2010

O meu amor II


O meu amor já não é mais sozinho
Encontrou seu aconchego, seu vinho
Mas vagueia ainda pelo universo
Recitando odes, escrevendo versos

Os versos do meu amor são carinho
Ternura sem vestígio algum de agrura
Amor assim que acha bonitinho
No outro, mesmo a chatice ou a frescura


O nosso amor lindo que germinou
Segue numa levada inabalável
Hoje imenso, outrora inominável


Digo nosso, pois já não é só meu
Tão lindo grande e forte seu tornou
Não cabe mais em mim, também é seu




Leandro Costa

O destino do nosso amor



Ouvir o som de seu nome sugere-me versos
de poemas, os mais belos, ainda nem escritos
Subverte-me a alma e deixa-me imerso
num turbilhão de pensamentos: seu corpo, seus mamilos...
Reconstrói em mim todos os momentos de felicidade e ternura
Como se já tivesse a felicidade de acariciar nossos filhos
Estes que ainda não tenho...não temos...
Mas que já nascem no âmbito de nossos desejos
Sobrepondo toda ansiedade, medos e receios
(são fogos de artifícios em mim ao vê-los se alimentando em seus seios)
Nascem puros fortes, livres, lindos...
Sendo a expressão da beleza do nosso amor
Puro, forte, livre, lindo...
E assim, como se fosse nossos filhos
O nosso amor eu crio, não cultivo
Plantas é que são cultivadas
Nosso amor já é um ser superior
Um ser com vontade própria
Um ser com bondade própria
Que nos deixa mais perto de Deus
Mas que está livre, para partir quando quiser
Para seguir seu vento norte
Como um filho que se casa e parte em seu caminho
Como qualquer um de nós que caminha para a morte
E assim livre como é o nosso amor
Caso decida viver ao nosso lado
Tratá-lo-ei bem, apesar de toda possível dor
E assim o farei de muito bom grado
Com tudo que há em mim de mais belo e sagrado


quarta-feira, 17 de março de 2010

Turista amororso

O amor é um fogo que arde sem se ver. Usamos essa máxima de Camões para justificar a análise de um segmento econômico ainda não estudado: O turismo amoroso. Diversos outros já têm suas denominações catalogadas, com números fixos, previsões de taxas de crescimento, essas coisas bem objetivas que são exibidas nos jornais e aprendemos a gostar.

Reivindicamos que o turismo amoroso seja reconhecido e ocupe o destaque que lhe é devido, afinal, nenhum outro segmento é capaz de fazer com que o turista antecipe férias, atrase a hipoteca da casa, o financiamento do carro, brigue com a família, com o chefe e muito mais, para viajar longos caminhos única e exclusivamente por alguns dias de felicidade.

O turista amoroso não mede distâncias, nem meio de transporte, tampouco se importa com o café-da-manhã servido no hotel barato, para ele não existe alta ou baixa temporada, e todo dia será de praia cheia e cerveja gelada.

Nada de turismo cultural, afinal, o turista amoroso tem seu próprio monumento, sua esfinge egípcia, seu museu com caráter futurista, ele tem seu próprio ritual, seja em Macapá ou em New York.
Ele é a personificação da ganância por proximidade, sem planejamento algum se dispede das deusas webcams sem resolução, dos MSN’s e das tarifas absurdas do interurbano, e vai à busca do “ao vivo e a cores”. Camões nem sonhava com internet ou trem-bala, mas sapecou de lá essa verdade: “o amor é um fogo que arde sem se ver” e arde até mesmo a longas distâncias.

Ulisses Lima


Blog esse onde o texto fora originalmente publicado, aconselho que o acessem e leiam os vários textos publicados por la, são muito bons, alguns sensacionais!

sexta-feira, 12 de março de 2010

Num Pedacinho da Asa Norte

Brasília, 12 de Março de 2010, 22h e 8 minutos, horário local!
Longe de casa há mais de uma semana, a milhas e milhas distante...
Bom, resolvi usar o modesto Tio na Zona para registrar algumas peculiaridades da vinda à capital (Brasília).
Estamos ficando em um apartamento aconchegante, digo, bastante aconchegante. Tão aconchegante que às vezes me sinto espremido pelas paredes. Mas sim, o App é um ambiente legal. Pelo menos até fazermos nossa janta. Bom, pense agora no aconchego do apartamento,a pouca ventilação do local, o gás liberado da cebola ou do alho; junte tudo isso na sua mente e conclua sobre a mistura. Aposto que seus olhos se encheram de lágrimas. Acredite, os meus também, e não é de emoção! E por falar em jantar, estamos cozinhando. Argh!!!
Cardápio variado toda noite. Ontem, aprontamos arroz, frango, tomate e um refrigerante. Já hoje, por exemplo, fizemos frango, arroz, tomate e faltou refrigerante! Temos nos dado tão bem na arte da culinária, que estamos pensando em montar um restaurante japonês: "Prato da casa: Arroz"!
Encerro por aqui este breve relato. Desculpem encerrar assim sem sal (rs). Acontece que errei a "mão" no sal do arroz e estou compensando aqui. Logo voltarei com novas histórias sobre esta epopéia no "faroeste caboclo".

José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 11 de março de 2010

Aos Pensamentos Vagos

Enquanto isso, em terras distantes, as coisas aconteciam!

[...]

- E com tudo, do jeito que é! [...] mas pelo que ela significa, assim, como é, sem tirar nem por, simplesmente assim, mutável.
- Hum! Gostei. Mutável?
- Sim, pois a gente se transforma aos poucos, mas quando a gente ama, a gente o faz por ser ela como ela é. Até mesmo cada passo da sua evolução, cada mudança, cada nuance de transformação.
- Claro! Concordo com você; mas és um homem apaixonado!
-Bem, há algo de errado nisso?
- De jeito nenhum. Pelo contrário! Um homem apaixonado é um homem mais próximo de suas realizações.
- Mais próximo da verdade, talvez. Ousaria dizer que está mais próximo da pureza, e de Deus, quem sabe, este ente discutível entre uns e outros, e que mesmo conflitante, às vezes, eu fico na Sua fé, no meu modo. Pois cada vez que a vejo, linda, vejo um toque Dele ali, um toque tal aqui!


Tio na Zona 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Alguma coisa sobre o amor


          Meus amados, tal pergunta, talvez mais do que outras um tanto quanto repetidas (mas nunca clichês) como: “de onde viemos?”, “pra onde vamos?”, continua a permear a inquietude dos seres humanos através dos séculos, trazendo felicidade, desocontentamento, prazer, dor, outras perguntas, mas nunca respostas exatas.

         Transbordam definições por todas as formas de arte e comunicação para esse substantivo de abstração descomunal. Tais definições para o amor, hora são mais românticas, hora desconfortáveis de tão realistas; “amor é fogo que arde sem se ver”, “amor é a ilusão de não estarmos sós” são exemplos das várias visões existentes sobre esse sentimento. No entanto, nunca estamos satisfeitos com definições, elas nunca são suficientes. Mas mesmo com a ciência  da insatisfação diante das definições, seguimos buscando por elas (à procura da batida perfeita), como se fosse noso destino.  Por mais que em certos momentos estejamos mais desesperançosos quanto ao amor e não queiramos sequer tocar no assunto em muitos momentos, vez ou outra nos perguntamos: afinal, o que é, de fato, o amor? Não faço a mínima idéia, já desisti de trabalhar com verdades há algum tempo, prefiro buscar por elas e trabalhar com as versões mais apropriadas da mesma (ou mais recentes, mais belas...). Por isso, penso que a existência do amor importa apenas aos amantes, é uma verdade individual para dois. Cada momento que dizemos “EU TE AMO” a uma pessoa especial com toda sinceridade de nosso ser (cientes que essa é a versão mais próxima que podemos chegar da verdade de nossos sentimentos naquele momento), cada um desses são momentos em que o amor existe – existe inteiro naquele instante. Nesse contexto não mais importa definição alguma, o amor é tudo que queima dentro do ser amante com todas as suas nuances.

          Apesar de acreditar na existência amor, mesmo que apenas por estalos de tempo, não me arrisco a fazer afirmações quanto a sua continuidade no tempo, quanto ao seu destino. Por isso não posso dizer que não houve amor numa relação em que não mais existe o sentimento que outrora pulsava, pois penso que o amor pode sim pulsar com vigor, em seguida mais suave e depois calar.  Talvez este sentimento seja como uma linha pontilhada, tracejada quem sabe, que necessita de uma distância apropriada para ser enxergada em sua plenitude (bem mais complexo que uma linha, admito, mas a lógica é a mesma). Afinal, a condição de existência de sentimentos e coisas não é a continuidade, a ininterrupção (os namoros que o digam), nem tampouco a eternidade.

          O eterno é solvente que dilui pessoas e sentimentos até que fiquem irreconhecíveis, insípidos; como um suco aguado que necessita de uma dica para que se descubra de que é feito ou que seja identificado apenas pela cor. O tempo tem que estar limitado pra que floresça a essência de cada um, de cada sentimento e com o amor não é diferente, pois ele se mostra belo na intensidade, em concentração adequada a cada paladar. A intensidade de um amor é diretamente proporcional à quantidade de corpo e alma diluídos no tempo dedicado à pessoa amada; e a duração do amor, proporcional à capacidade dos amantes de sentir o sabor de corpo e alma nas mais baixas concentrações; um sabor assim suave, sutil, leve. 

          Nessa versão matemática, parece até simples o amor, e de fato seria, não fosse a dor e o sofrimento da escolha crucial sobre quem será de fato o(a) dono(a) de nossos corpos e nossas almas. Escolha tal que nos divide, traz dor, sofrimento, mas é inevitável, talvez pelo fato de todos termos a capacidade de amar e dedicarmo-nos de corpo e alma a pessoa amada, mesmo que apenas por um tempo. Todavia, dedicar-se é doar-se um pouquinho por vez e, nessa levada, pode ser, repito, pode ser que um dia não mais encontremos a nós mesmos.


Leandro Costa

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Nota Pessoal

      Amor não acaba! Relações de amores espúrios se acabam!

      Ou isto, ou aquilo! O amor não surgiu se o que quer que tenha havido teve fim para as partes envolvidas. Amor é substantivo abstrato sem definição. Sobre ele (o amor), entre as raras coisas das quais sou convicto, sei que está para além do fim da cousas concretas, dos fatos, dos relacionamentos, das certezas cruas. Não pode acabar. Se a sensação atribuída ao substantivo abstrato (o amor) acaba, não o era verdadeiramente, mas antes, outro substantivo qualquer. Excitação, talvez. Mas não ele, o amor! 

      Ora, está claro que se acaba depois de três ou quatro goles de gim, não se tratava desse substantivo abstrato (o amor), era embriaguez! Se acaba na compulsão da simplicidade, não era amor, era patologia. Se há parágrafos de puro ódio entre pólen e gineceu, não se trata de amor, trata-se sim, de algum texto concebido no seio de qualquer outra lingua que não a do amor. Amor, verdadeiro, tal como é em si mesmo, não pode acabar! Pois na órbita incompreensível do amor, quando um salta para o seio de outrem, ambos se estabilizam,e quando aquele volta à sua origem, há saudade! E essa sim, pode dizer se há amor ou se acabou o que outrora começara!


“Em nome da paz sempre haverá uma espada em riste.”


José de Lima Cardozo Filho

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O amor acaba



Trecho da crônica "O amor acaba" do escritor mineiro Paulo Mendes Campos

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar"
...
"e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado"
...
"o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores"



Dedico aos meus amigos biólogos e biólogas (sobretudo a estas!;) essa última metáfora desse último trecho. Muito lindo eu acho!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pra que porquê?

























Esconder-se da verdade é vão como o carnaval
Trás até felicidade, mas nenhum amor real (?)
Salta aos olhos a alegria da inocência escolhida
Ou seria covardia fechar os olhos para a vida?

É... viver talvez não seja um ato assim tão literal
Criar sentidos pode não ser assim tão mau
Talvez seja mesmo uma boa forma de viver
Iludir-se, consciente do que se está a fazer

A felicidade, tal como pouco na vida
Não necessita explicação
Chocolate, poesia, amor e sexo
também não!















A sina do pensar

Penso, e isso quase consome minha vida inteira
Com o que em sobra dela eu sinto,
mas disso não me dou conta
Eu sinto as flores, árvores, relva, mares e montes
Estes que mesmo sendo belos, perfumados, estonteantes
Não me fazem ver por entre linhas o que se não mostra
O que não salta a olhos saudáveis

Longe de tudo isso,
dos mares, montes, das flores, relvas e árvores,
dentro de minha mente.
Encontro um lugar onde me sinto vivo,
mesmo sabendo-me doente.



.
Leandro Costa

O Meu Amor

O meu amor é sozinho
Vagueia único pelo universo
Tenta em vão encontrar ninho
Aconchego, acalento, ... um verso

O verso do meu amor é sozinho
Trava lutas de trava línguas
Anacoluta-se por entre metáforas ambíguas
Alitera-se sem sentido que não seja saudade

A saudade do meu amor é caminho
Seguido numa odisséia para o distante
Saqueia no passado sentimento para o presente

O meu amor é vaidade
Saca versos saudosos de seu arsenal
E presenteia-me com ilusão sublime e real



.
Leandro Costa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Notas Surdas

Histórias que não sabemos necessariamente quando e como começam
E ainda menos
sabemos de quando e como terminarão!
Em que esquina a gente vira do avesso?
Planos de segurança inventados e mais grades nos separam;
Apostas no cômodo são tiros no escuro no próprio pé; são certezas lúgubres de toda frustração; por fim, são renúncias do propósito de ser feliz!



(Observação: a imagem acima é meramente uma forma ilustrativa e contraditória de mostrar que existem lições que a gente tem de compreende-las por si mesmo)


José de Lima Cardozo Filho

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

das coisas
que eu fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros são
aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?

Paulo Leminski

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Novidade: barra de vídeos homenageia um dos melhores estilos musicais de todos os tempos (o samba, minha outra paixão, que me perdoe), a Bossa Nova!

Leandro Costa
As últimas postagens são uma homenagem sem sentido, apenas para ser sentida, a um grande poeta do século XX.
Paulo Leminski nasceu em Curitiba, Paraná, em 1944. Mestiço de polaca com negro, sempre viveu no Paraná (infância no interior de Santa Catarina).Publicou Catatau (prosa experimental), em 1976, Curitiba, ed. do autor. Não Fosse isso e era menos / Não fosse tanto e era quase e Polonaise (poemas, 1980, Curitiba, ed. do autor). Publicou poemas com fotos de Jaque Pires, no álbum Quarenta cliques, Curitiba, 1979, ed. Etcetera. Teve as seguintes obras publicados pela editora Brasiliense (SP): Cruz e Sousa, 1983; Caprichos e Relaxos, 1983; Matsuo Bashõ, 1983; Jesus a. C., 1984; Agora é que são elas, 1984; Leon Trotski - a paixão segundo a revolução, 1986; além de traduções. Morreu no dia 7 de junho de 1989.

Fonte:http://www.paralerepensar.com.br/p_leminski.htm
A noite - enorme, tudo dorme, menos teu nome.

Paulo Leminski
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski
prazer
da pura percepção
os sentidos
sejam a crítica
da razão

Paulo Leminki
moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia

Paulo Leminki
Apagar-me
Diluir-me
Desmanchar-me
Até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme

Paulo Leminski

Perfil

Uso palavras dos outros - palavras do mundo - para criar os neologismos do meu discurso, pois ele é por inteiro alheio e meu. Eis meu processo de leitura e autoria! E que autoria seja entendida não somente como criar símbolos cadenciados com uma lógica inteligível, mas também tecer uma leitura do que nos cerca, criar-se como criatura alheia, fazer-se próprio a partir do outro.

Eu sou o que crio.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Poema em entrelinhas tortas

Saudade do tempo que não volta mais
Eu tenho toda vez que algo de meu tempo
inunda-me de um sentimento
tão infame, reles e vil como ninguém é,
ou como ninguém mais pode ser.

Vejo coisas, não queria!
Ando torto, torpe e atormentado
por todos que me rodeiam cheios de tudo que não tenho,
vazios de tudo que sou.
Vejo veloz pela janela algo que me empenha a ser mais.
Ando por ai, levado pelo ditado dessa tacocracia insaciável
Ando assim meio de lado, grotesco, sinistro, escorraçado
Ando, não corro, esse é meu mal.
Nos dias de hoje, ter pressa aperfeiçoa e é normal.
Por mais eu que tente correr, ando...
Como o gerúndio que nada termina
Mas que se faz perfeito no contínuo
Continu-ando...
Ando mutilado por toda multiplicidade deste tempo
Que ao invés de conceder-me liberdade e contento,
pesa-me aos ombros, entortando-me ainda mais.
Mais do que minha consciência inteira, pesa-me o peso do possível.
Este que me arranca todo o alívio da conquista
impelindo-me com uma rapidez inevitável
para o próximo grande feito da lista.

Vencer não sacia por mais que um segundo
O pódio se desfaz em ópio
Logo és não mais que qualquer um no mundo
Apenas cinzas de horas nobres do passado
que tu tens nas mãos em pleno nado.

Tudo se esvai,
parte de mãos dadas com o tempo,
romântico como toda perda ou partida.
Aparência, agilidade, habilidade, grandes feitos,
nobreza, beleza, formas, armas, poder, dinheiro,
livros,
versos,
poetas, homens, mulheres e qualquer coisa mais,
tudo se esvai.
Tudo e todos deitam-se ao solo.
E assim o fazem aos muitos (com há pouco no Haiti)
ou aos poucos, cada um a sua vez
Naturalmente como contar uma estória e começar com:
“Era uma vez...”
De maneira absoluta e simples,
deitamos todos ao chão,
como quem se deita para ver estrelas
(E as vê com olhos sãos)
Como quem se deita e sente as estrelas sem pensar nelas
Exatamente como estrelas que elas são.

Leandro Costa

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ensaio sobre o sofrimento e o tédio

Um pensador disse em certa ocasião que a existência humana oscila entre o sofrimento e o tédio com intervalos que chamamos de momentos felizes. Muito sábias tais palavras. Trata-se de uma visão que descreve sinteticamente o que se passa com o homem durante a vida com um olhar um tanto quanto realista, ou mesmo pessimista - eu admito.
Sofrimento e tédio, definitivamente, não são mero fruto da ira de um (D)deus embriagado ou mal humorado, mas talvez sejam os responsáveis por estarmos por aqui, já a essa altura dos acontecimentos. O tempo passou, nós surgimos pouco a pouco na Terra e cá estamos depois que tanto tenha se passado. Alguns chamam isso de sucesso evolutivo, outros acreditam que tudo surgiu de uma obra de um ser superior e há ainda os que se permitem permanecer na dúvida. O fato é que, de uma forma ou de outra, ainda habitamos a Terra e o sofrimento e o tédio são dois dos responsáveis por isso. Basta que olhemos para nossas próprias vidas e para o que nos cerca para chegarmos a algumas fáceis conclusões: tudo aquilo que traz conforto não motiva mudanças, em time que ta ganhando não se mexe e por ai vai. Por um outro lado, sofrimento motiva atitudes de procura e consequentemente encontros, mudanças de rota, de direção. Sofrer não é confortável, não trás comodidade ou alívio, ao contrário, trás sensações extremamente desagradáveis e por vezes até mesmo insuportáveis com as quais não conseguimos permanecer muito tempo sem que algo seja feito, sem que uma atitude seja tomada.
O tédio, apesar de bem diferente do sofrimento, também serve como fomentador de descobertas, mas de uma maneira um pouco diferente. Ele algumas vezes anda de mãos dadas com o ócio, mas em muitas outras pode acompanhar as mais árduas formas de trabalho ou qualquer outra ocupação, entretanto, de uma forma ou de outra, ele é sempre revelador. Revela a necessidade de desenvolvermos novos objetivos, novas metas, a necessidade de superação, de aventuras e muitas outras. O tédio muda rumos, sugere uma contramão, a desconstrução como forma de construção. Ele mostra como a “mesmice” tem que ser combatida ferrenhamente. A história (assim como a história da humanidade) é sempre a mesma: o que antes lhe aprazia, agora lhe causa repulsa; o que trouxe bastante conforto no passado, hoje incomoda; o que satisfazia, hoje já não satisfaz mais; o que combinava, hoje destoa.
Sofrimento e tédio complementam-se e dessa forma possibilitam que sejamos muito do que realmente somos. Há aquilo que só alcançamos se nos mobilizarmos em diferentes situações, em momentos de farpas e espinhos, mas também momentos de água e vinho; digo, a mesma água e o mesmo vinho já há muito ou mesmo algum tempo. Farpas e espinhos exigem força, superação da dor e da angústia; exigem um ser humano mais realista, racional, persistente, corajoso. No entanto, superar a mesma água e o mesmo vinho não exige força nem é um ato de coragem (na maioria das vezes), pois a água e o vinho não estão causando exatamente um mal, eles continuam matando a sede. Veja que não se trata de algo tão simples que possa ser resolvido transformando-se água em vinho caso se tenha somente a água ou trocando o vinho por água caso se tenha somente o vinho. Reverter o repetido exige criatividade, exige uma mente aberta; aberta para o novo, para o que é inovador, contraventor, surpreendente, diferente, e que diferente seja entendido como apenas diferente, não necessariamente melhor ou pior do que antes.
Criatividade e força são duas de nossas características mais vantajosas e belas, mas que nascem de algo que nos incomoda, que nos enche ou mesmo que nos esvazia; que nos faz sentir demais ou sentir de menos. São características advindas do sofrimento e do tédio (pelo menos em parte), duas sensações que se pudéssemos escolher não escolheríamos, mas que de alguma forma nos escolheram e fizeram de nós o que somos hoje: virtudes e defeitos, esperança, ódio, indiferença e amor.
Leandro Costa

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O fim do tempo

O tempo é sábio
e nos da tudo o que temos,
nos da tudo que somos.
Ele trabalha o que precisa ser trabalhado,
envelhece o que precisa ser envelhecido,
traz lembranças de nosso esquecimento
e leva lembranças ao esquecimento.
Ele leva um amor ao vento
(esse seu parceiro inseparável)
e também pode fazê-lo brotar.
O tempo nos trás pessoas inesquecíveis
e depois mais pessoas inesquecíveis
depois que esquecemos a anterior.
Mosaico de sentimentos
do ódio ao amor
passando pela indiferença.
Tempo maldito que custa a passar.
Tempo bendito eterno em um instante.
Instante do abraço antes do apocalipse.
Apocalipse que inicia uma nova era.
Como o sol novamente após um eclipse.
mas mesmo que um meio sempre encontre a vida
ou que a vida sempre encontre um meio
sempre chega a hora do mergulho
então o abraço se desfaz
o beijo já não toca
a voz cala
a dor
.
É quando desejamos não desejar
(é o que penso, apesar de nunca ter chegado lá)
Tudo já se foi
só nos resta acreditar
na ilusão de estarmos indo atrás,
atrás dos que já foram, do que já foi.
Acreditar que foi bom o que fizemos
(e bom não só para nós mesmos)
resta-nos acreditar que é natural
natural o que nosso instinto
sempre nos ensinou a ter medo.
E de fato o fim é mesmo sempre natural
por mais artificial que seja a maneira
por mais que busquemos por explicações
ou que queiramos não aceitar
negar pode ser uma rima
talvez uma saída
mas não uma solução.
Esta não existe
nem sub-existe,
apenas nos incomoda,
insiste e persiste.
Quase nada nos resta:
fantasia para uns
morfina para outros.
Como durante a vida
cada um procura sua droga
nem todos encontram
não há corrimãos
não há bengalas
não há cadeiras
não há clareiras
cada uma por si
como viemos ao mundo
ela como ela é
O tempo já não importa,
apesar ser o maior dos problemas.
O maior dos problemas já não importa.
Somente o sentimento
e todo ele em um só momento
mas não há tempo para tudo
só há tempo para pouco
muito, muito pouco
um resquício
intenso
inteiro
mas não eterno.
O coração já não mais
O ar já não entra
O que tudo suporta
já não mais aguenta,
o sopro se esvai ao vento
e apesar de boas horas vividas
Advém o fim, sempre intrépido e sangrento
Leandro Costa

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Prece do Viajante do Tempo


Ó tempo que paira coerente por entre vales de sonho
Que esvai sem querer pelas frestas esguias dos dedos da morte
Que corre solto e leve por entre os cabelos e por sobre a pele da morena desconhecida a cavalgar pelo tempo
Ó tempo que levita através de si travestido de novo por entre segredos soltos
Tempo sem pressa, de apresso apertado dos corações disparados!
Ó tempo,
Condição da espera,
Que carrega sobre si o peso de suas próprias sombras arrastadas na superfície rude de aquarela de singularidade múltipla
Que traz de longe vida como presente de Deus em sopros suaves de ondas voluptuosas e que a leva pra longe da matéria imunda com a delicadeza elegante de uma brisa primaveril
Ó tempo, que és tu mesmo através de ti
Vai-te
Vai-te sem partir
Vai-te tempo, de memórias intactas 
E vagueia sóbrio no teu seio!
Vagueia e mostra os mistérios dos caminhos no seu tempo
Cumpre teu propósito
Ó tempo
Tu que és justo
Instrumento do Divino
Que és sem pressa
De apresso apertado no meu peito!


José de Lima Cardozo Filho
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