Antes de tudo, um olhar teu me fará feliz por um instante atemporal. Os teus sonhos serão meus sonhos também! A tua vida se confundirá com a minha e seremos um; seremos um de dois. Depois? A gente pensa no depois quando for inevitável; quando não houver agora. Viveremos como loucos desvairados. Abandonaremos o normal e seremos consumidos pela loucura própria dos amantes. Tomaremos como nossos os sonhos dos viajantes; e seremos egoístas como os jovens apaixonados. Nos esqueceremos do jantar, juntos, à beira de um riacho, cujas águas murmuram nossos nomes bem alto. Olharemos de longe, bem distante, os pores-do-sol e nos reconfortaremos um no espírito do outro. Roubaremos para nós os amanheceres dos domingos de outono. E viveremos a eternidade da cada momento. Na areia do quintal, desenharemos nosso destino; desenharemos o agora como se não houvesse, de fato, um destino depois, como se tivéssemos comprado o amanhã com o sem preço do nosso amor. Traçaremos a partitura de nossa canção com a mesma suavidade de sua pela branca, morena, amarela.
Nestas linhas mal traçadas deposito o fruto de um devaneio, quiça uma utopia. Mas são sentimentos profundos, são histórias não vividas, não contadas. Um querer sem querer. Quisera eu o tempo todo que você quisesse comigo, na mesma frequencia, com intensidades desproporcionais. Quisera que substanciássemos esse abstrato sonho relegado às minhas lembranças esquecidas à força.
"Escritos de 08 de Abril de 2009"
José de Lima Cardozo Filho
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