Eu sorri num sorriso gargalhado intimamente quando ela me deixou! Devia ter chorado, como fiz da última vez, quando uma outra pessoa me deixou! Mas eu sorri, meio entristecido por ela ter partido, mas feliz por estar livre do pesar de amá-la preso num sentimento sufocante! Por incrível que pareça, eu pareço amadurecido, calejado pelas desventuras amorosas. Acho que deve ser assim mesmo. Quando eu era criança, um dia meu pai me levou para capinar*. No final da tarde, minhas mãos estavam cheias de calos! Meu pai então me chamou e disse: vamos resolver isto! Ele retirou da bainha da cintura um canivete afiado, pediu minhas mãos abertas, num ato passivo, e cortou todos os calos! Ali do lado ele já havia preparado uma pequena bacia com água e sal! Ele disse sério: coloque as mãos aí! Doeu, mas meninos não choram, ele disse! O tempo passou, e nas próximas vezes em que calos se formaram em minhas mãos, elas passavam pelo mesmo ritual. Com o tempo, o cabo da enxada já não podia mais me ferir, pois havia entre ele e eu uma harmonia! Eu estava pronto pra ele finalmente, embora ele já estivesse pronto para mim bem antes.
Creio que deve ser assim no amor. O amor desde sempre esteve pronto para nós, mas nós não estávamos pronto para ele! Aí a gente sofre, passa por maus momentos, mas a cada experiência o amor nos torna mais maduros, mais prontos para ele! Aí, chega um dia, em que haverá uma relação harmoniosa entre a gente e o amor!
Por isso eu ri descontrolavelmente quando ela foi embora! Foi na hora certa, se é que se fora mesmo, disse eu num resmungo íntimo! Pois eu estou compreendendo que o amor nos liberta; não nos faz prisioneiros! Acabamos confundindo os sentidos, por obra do nosso sentimento possessivo, sentimento do qual nos tornamos "cativados".
"O que penso sobre tudo isso aqui? Penso que era aparentemente só mais um "oásis"! Nada comparado ao "paraíso"! Caminhar em busca do último é necessário! "...navegar é preciso e, viver não é preciso", mas necessário!"
José de Lima Cardozo Filho
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