Ela fugia da sua realidade em festas. Buscava nas luzes solitárias da boate uma companhia que a fizesse esquecer o caminho, ou que pelo menos a fizesse sentir-se a caminho de algum lugar. Entre cores abstratas do neon fugia da solidão íntima que a pressionava o peito. Sentia-se só, sem saber se havia mesmo alguém. Olhava para os lados e tentava encontrar, mas o que lhe vinha aos olhos era solidão. Mais uma bebida encharcava-lhe os pensamentos como águas de novembro encharcam o chão. Em cada gole uma abstração induzida do seu caminho só. No fim da noite, as luzes de apagaram, o sons se calaram e o silêncio pungente da madrugada pesou sobre sua cabeça embriagada. Voltava pra casa, pra mesma casa de onde saíra há tanto. De onde fugira da solidão. Voltava ali e mais uma vez recostava-se sobre a cama fitando o teto numa tentativa cansada de encontrar respostas. Procurava uma razão para entender o caminho, uma razão que a fizesse sentir o caminho. Entre mergulhos no branco amarelado do teto do quarto em busca do seu mundo encontrou por um instante o mundo no qual ela já não se sentia esquisita.
Na cidade raiava o dia e ela ainda não dormira. Perturbada pela estranha sensação da esquisitice resolveu então viajar. Deixar nas curvas das estradas seus anseios excêntricos, suas loucuras peculiares. Mas não sabia para onde ir e tudo no caminho lhe parecia desconfortavelmente estranho. Ainda se sentia só! Caíra a noite e com ela toda a solidão que lhe fizera companhia por toda a trilha. E caiu feito pedra. O vento no rosto disfarçava todas as saudades, uma distração travessa que lhe chamava a atenção no cruzamento das vias.
... e seu destino fora mudado pelas luzes do novo mundo. Na "cidade" estranha onde a ruas eram tortas e as pessoas confusas. Ali era seu lugar!
"Hoje eu sinto um vazio que enche a alma! Saudade, solidão, amor, vontade..."
José de Lima Cardozo Filho

Nenhum comentário:
Postar um comentário