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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Prece do Viajante do Tempo


Ó tempo que paira coerente por entre vales de sonho
Que esvai sem querer pelas frestas esguias dos dedos da morte
Que corre solto e leve por entre os cabelos e por sobre a pele da morena desconhecida a cavalgar pelo tempo
Ó tempo que levita através de si travestido de novo por entre segredos soltos
Tempo sem pressa, de apresso apertado dos corações disparados!
Ó tempo,
Condição da espera,
Que carrega sobre si o peso de suas próprias sombras arrastadas na superfície rude de aquarela de singularidade múltipla
Que traz de longe vida como presente de Deus em sopros suaves de ondas voluptuosas e que a leva pra longe da matéria imunda com a delicadeza elegante de uma brisa primaveril
Ó tempo, que és tu mesmo através de ti
Vai-te
Vai-te sem partir
Vai-te tempo, de memórias intactas 
E vagueia sóbrio no teu seio!
Vagueia e mostra os mistérios dos caminhos no seu tempo
Cumpre teu propósito
Ó tempo
Tu que és justo
Instrumento do Divino
Que és sem pressa
De apresso apertado no meu peito!


José de Lima Cardozo Filho

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