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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Pra que porquê?

























Esconder-se da verdade é vão como o carnaval
Trás até felicidade, mas nenhum amor real (?)
Salta aos olhos a alegria da inocência escolhida
Ou seria covardia fechar os olhos para a vida?

É... viver talvez não seja um ato assim tão literal
Criar sentidos pode não ser assim tão mau
Talvez seja mesmo uma boa forma de viver
Iludir-se, consciente do que se está a fazer

A felicidade, tal como pouco na vida
Não necessita explicação
Chocolate, poesia, amor e sexo
também não!















A sina do pensar

Penso, e isso quase consome minha vida inteira
Com o que em sobra dela eu sinto,
mas disso não me dou conta
Eu sinto as flores, árvores, relva, mares e montes
Estes que mesmo sendo belos, perfumados, estonteantes
Não me fazem ver por entre linhas o que se não mostra
O que não salta a olhos saudáveis

Longe de tudo isso,
dos mares, montes, das flores, relvas e árvores,
dentro de minha mente.
Encontro um lugar onde me sinto vivo,
mesmo sabendo-me doente.



.
Leandro Costa

O Meu Amor

O meu amor é sozinho
Vagueia único pelo universo
Tenta em vão encontrar ninho
Aconchego, acalento, ... um verso

O verso do meu amor é sozinho
Trava lutas de trava línguas
Anacoluta-se por entre metáforas ambíguas
Alitera-se sem sentido que não seja saudade

A saudade do meu amor é caminho
Seguido numa odisséia para o distante
Saqueia no passado sentimento para o presente

O meu amor é vaidade
Saca versos saudosos de seu arsenal
E presenteia-me com ilusão sublime e real



.
Leandro Costa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Notas Surdas

Histórias que não sabemos necessariamente quando e como começam
E ainda menos
sabemos de quando e como terminarão!
Em que esquina a gente vira do avesso?
Planos de segurança inventados e mais grades nos separam;
Apostas no cômodo são tiros no escuro no próprio pé; são certezas lúgubres de toda frustração; por fim, são renúncias do propósito de ser feliz!



(Observação: a imagem acima é meramente uma forma ilustrativa e contraditória de mostrar que existem lições que a gente tem de compreende-las por si mesmo)


José de Lima Cardozo Filho

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

das coisas
que eu fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros são
aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?

Paulo Leminski

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Novidade: barra de vídeos homenageia um dos melhores estilos musicais de todos os tempos (o samba, minha outra paixão, que me perdoe), a Bossa Nova!

Leandro Costa
As últimas postagens são uma homenagem sem sentido, apenas para ser sentida, a um grande poeta do século XX.
Paulo Leminski nasceu em Curitiba, Paraná, em 1944. Mestiço de polaca com negro, sempre viveu no Paraná (infância no interior de Santa Catarina).Publicou Catatau (prosa experimental), em 1976, Curitiba, ed. do autor. Não Fosse isso e era menos / Não fosse tanto e era quase e Polonaise (poemas, 1980, Curitiba, ed. do autor). Publicou poemas com fotos de Jaque Pires, no álbum Quarenta cliques, Curitiba, 1979, ed. Etcetera. Teve as seguintes obras publicados pela editora Brasiliense (SP): Cruz e Sousa, 1983; Caprichos e Relaxos, 1983; Matsuo Bashõ, 1983; Jesus a. C., 1984; Agora é que são elas, 1984; Leon Trotski - a paixão segundo a revolução, 1986; além de traduções. Morreu no dia 7 de junho de 1989.

Fonte:http://www.paralerepensar.com.br/p_leminski.htm
A noite - enorme, tudo dorme, menos teu nome.

Paulo Leminski
nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Paulo Leminski
prazer
da pura percepção
os sentidos
sejam a crítica
da razão

Paulo Leminki
moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia

Paulo Leminki
Apagar-me
Diluir-me
Desmanchar-me
Até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme

Paulo Leminski

Perfil

Uso palavras dos outros - palavras do mundo - para criar os neologismos do meu discurso, pois ele é por inteiro alheio e meu. Eis meu processo de leitura e autoria! E que autoria seja entendida não somente como criar símbolos cadenciados com uma lógica inteligível, mas também tecer uma leitura do que nos cerca, criar-se como criatura alheia, fazer-se próprio a partir do outro.

Eu sou o que crio.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Poema em entrelinhas tortas

Saudade do tempo que não volta mais
Eu tenho toda vez que algo de meu tempo
inunda-me de um sentimento
tão infame, reles e vil como ninguém é,
ou como ninguém mais pode ser.

Vejo coisas, não queria!
Ando torto, torpe e atormentado
por todos que me rodeiam cheios de tudo que não tenho,
vazios de tudo que sou.
Vejo veloz pela janela algo que me empenha a ser mais.
Ando por ai, levado pelo ditado dessa tacocracia insaciável
Ando assim meio de lado, grotesco, sinistro, escorraçado
Ando, não corro, esse é meu mal.
Nos dias de hoje, ter pressa aperfeiçoa e é normal.
Por mais eu que tente correr, ando...
Como o gerúndio que nada termina
Mas que se faz perfeito no contínuo
Continu-ando...
Ando mutilado por toda multiplicidade deste tempo
Que ao invés de conceder-me liberdade e contento,
pesa-me aos ombros, entortando-me ainda mais.
Mais do que minha consciência inteira, pesa-me o peso do possível.
Este que me arranca todo o alívio da conquista
impelindo-me com uma rapidez inevitável
para o próximo grande feito da lista.

Vencer não sacia por mais que um segundo
O pódio se desfaz em ópio
Logo és não mais que qualquer um no mundo
Apenas cinzas de horas nobres do passado
que tu tens nas mãos em pleno nado.

Tudo se esvai,
parte de mãos dadas com o tempo,
romântico como toda perda ou partida.
Aparência, agilidade, habilidade, grandes feitos,
nobreza, beleza, formas, armas, poder, dinheiro,
livros,
versos,
poetas, homens, mulheres e qualquer coisa mais,
tudo se esvai.
Tudo e todos deitam-se ao solo.
E assim o fazem aos muitos (com há pouco no Haiti)
ou aos poucos, cada um a sua vez
Naturalmente como contar uma estória e começar com:
“Era uma vez...”
De maneira absoluta e simples,
deitamos todos ao chão,
como quem se deita para ver estrelas
(E as vê com olhos sãos)
Como quem se deita e sente as estrelas sem pensar nelas
Exatamente como estrelas que elas são.

Leandro Costa

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ensaio sobre o sofrimento e o tédio

Um pensador disse em certa ocasião que a existência humana oscila entre o sofrimento e o tédio com intervalos que chamamos de momentos felizes. Muito sábias tais palavras. Trata-se de uma visão que descreve sinteticamente o que se passa com o homem durante a vida com um olhar um tanto quanto realista, ou mesmo pessimista - eu admito.
Sofrimento e tédio, definitivamente, não são mero fruto da ira de um (D)deus embriagado ou mal humorado, mas talvez sejam os responsáveis por estarmos por aqui, já a essa altura dos acontecimentos. O tempo passou, nós surgimos pouco a pouco na Terra e cá estamos depois que tanto tenha se passado. Alguns chamam isso de sucesso evolutivo, outros acreditam que tudo surgiu de uma obra de um ser superior e há ainda os que se permitem permanecer na dúvida. O fato é que, de uma forma ou de outra, ainda habitamos a Terra e o sofrimento e o tédio são dois dos responsáveis por isso. Basta que olhemos para nossas próprias vidas e para o que nos cerca para chegarmos a algumas fáceis conclusões: tudo aquilo que traz conforto não motiva mudanças, em time que ta ganhando não se mexe e por ai vai. Por um outro lado, sofrimento motiva atitudes de procura e consequentemente encontros, mudanças de rota, de direção. Sofrer não é confortável, não trás comodidade ou alívio, ao contrário, trás sensações extremamente desagradáveis e por vezes até mesmo insuportáveis com as quais não conseguimos permanecer muito tempo sem que algo seja feito, sem que uma atitude seja tomada.
O tédio, apesar de bem diferente do sofrimento, também serve como fomentador de descobertas, mas de uma maneira um pouco diferente. Ele algumas vezes anda de mãos dadas com o ócio, mas em muitas outras pode acompanhar as mais árduas formas de trabalho ou qualquer outra ocupação, entretanto, de uma forma ou de outra, ele é sempre revelador. Revela a necessidade de desenvolvermos novos objetivos, novas metas, a necessidade de superação, de aventuras e muitas outras. O tédio muda rumos, sugere uma contramão, a desconstrução como forma de construção. Ele mostra como a “mesmice” tem que ser combatida ferrenhamente. A história (assim como a história da humanidade) é sempre a mesma: o que antes lhe aprazia, agora lhe causa repulsa; o que trouxe bastante conforto no passado, hoje incomoda; o que satisfazia, hoje já não satisfaz mais; o que combinava, hoje destoa.
Sofrimento e tédio complementam-se e dessa forma possibilitam que sejamos muito do que realmente somos. Há aquilo que só alcançamos se nos mobilizarmos em diferentes situações, em momentos de farpas e espinhos, mas também momentos de água e vinho; digo, a mesma água e o mesmo vinho já há muito ou mesmo algum tempo. Farpas e espinhos exigem força, superação da dor e da angústia; exigem um ser humano mais realista, racional, persistente, corajoso. No entanto, superar a mesma água e o mesmo vinho não exige força nem é um ato de coragem (na maioria das vezes), pois a água e o vinho não estão causando exatamente um mal, eles continuam matando a sede. Veja que não se trata de algo tão simples que possa ser resolvido transformando-se água em vinho caso se tenha somente a água ou trocando o vinho por água caso se tenha somente o vinho. Reverter o repetido exige criatividade, exige uma mente aberta; aberta para o novo, para o que é inovador, contraventor, surpreendente, diferente, e que diferente seja entendido como apenas diferente, não necessariamente melhor ou pior do que antes.
Criatividade e força são duas de nossas características mais vantajosas e belas, mas que nascem de algo que nos incomoda, que nos enche ou mesmo que nos esvazia; que nos faz sentir demais ou sentir de menos. São características advindas do sofrimento e do tédio (pelo menos em parte), duas sensações que se pudéssemos escolher não escolheríamos, mas que de alguma forma nos escolheram e fizeram de nós o que somos hoje: virtudes e defeitos, esperança, ódio, indiferença e amor.
Leandro Costa

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O fim do tempo

O tempo é sábio
e nos da tudo o que temos,
nos da tudo que somos.
Ele trabalha o que precisa ser trabalhado,
envelhece o que precisa ser envelhecido,
traz lembranças de nosso esquecimento
e leva lembranças ao esquecimento.
Ele leva um amor ao vento
(esse seu parceiro inseparável)
e também pode fazê-lo brotar.
O tempo nos trás pessoas inesquecíveis
e depois mais pessoas inesquecíveis
depois que esquecemos a anterior.
Mosaico de sentimentos
do ódio ao amor
passando pela indiferença.
Tempo maldito que custa a passar.
Tempo bendito eterno em um instante.
Instante do abraço antes do apocalipse.
Apocalipse que inicia uma nova era.
Como o sol novamente após um eclipse.
mas mesmo que um meio sempre encontre a vida
ou que a vida sempre encontre um meio
sempre chega a hora do mergulho
então o abraço se desfaz
o beijo já não toca
a voz cala
a dor
.
É quando desejamos não desejar
(é o que penso, apesar de nunca ter chegado lá)
Tudo já se foi
só nos resta acreditar
na ilusão de estarmos indo atrás,
atrás dos que já foram, do que já foi.
Acreditar que foi bom o que fizemos
(e bom não só para nós mesmos)
resta-nos acreditar que é natural
natural o que nosso instinto
sempre nos ensinou a ter medo.
E de fato o fim é mesmo sempre natural
por mais artificial que seja a maneira
por mais que busquemos por explicações
ou que queiramos não aceitar
negar pode ser uma rima
talvez uma saída
mas não uma solução.
Esta não existe
nem sub-existe,
apenas nos incomoda,
insiste e persiste.
Quase nada nos resta:
fantasia para uns
morfina para outros.
Como durante a vida
cada um procura sua droga
nem todos encontram
não há corrimãos
não há bengalas
não há cadeiras
não há clareiras
cada uma por si
como viemos ao mundo
ela como ela é
O tempo já não importa,
apesar ser o maior dos problemas.
O maior dos problemas já não importa.
Somente o sentimento
e todo ele em um só momento
mas não há tempo para tudo
só há tempo para pouco
muito, muito pouco
um resquício
intenso
inteiro
mas não eterno.
O coração já não mais
O ar já não entra
O que tudo suporta
já não mais aguenta,
o sopro se esvai ao vento
e apesar de boas horas vividas
Advém o fim, sempre intrépido e sangrento
Leandro Costa

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Prece do Viajante do Tempo


Ó tempo que paira coerente por entre vales de sonho
Que esvai sem querer pelas frestas esguias dos dedos da morte
Que corre solto e leve por entre os cabelos e por sobre a pele da morena desconhecida a cavalgar pelo tempo
Ó tempo que levita através de si travestido de novo por entre segredos soltos
Tempo sem pressa, de apresso apertado dos corações disparados!
Ó tempo,
Condição da espera,
Que carrega sobre si o peso de suas próprias sombras arrastadas na superfície rude de aquarela de singularidade múltipla
Que traz de longe vida como presente de Deus em sopros suaves de ondas voluptuosas e que a leva pra longe da matéria imunda com a delicadeza elegante de uma brisa primaveril
Ó tempo, que és tu mesmo através de ti
Vai-te
Vai-te sem partir
Vai-te tempo, de memórias intactas 
E vagueia sóbrio no teu seio!
Vagueia e mostra os mistérios dos caminhos no seu tempo
Cumpre teu propósito
Ó tempo
Tu que és justo
Instrumento do Divino
Que és sem pressa
De apresso apertado no meu peito!


José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Bailarina

Perdi-me por pensamentos
nas teias
tecidas 
fio a fio
arquitetadas sob a medida
exata
perdi-me na lembrança doentia 
do espelho do banheiro
da figura esquálita e pálida do que fora jamais
pois nada fora
antes, tudo
vida afora
fora isso
em nada contradisse
o sentido
julgado pela consciência inapelável. 
Preso
na alma elouquecida
de esquecido que fora, sou
cantei odes à liberdade 
da corte o bobo
que se diverte
em largas gargalhadas
deseperadas
silencioso
como quem guarda e aguarda 
por palavras
sentidas.
Sóbrio:
Esperança, estranha, bailarina!


José de Lima Cardozo Filho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Weird Freedom

There was a dog on November 4th Street
Tied
Pooch
Yellow dog
Didn’t know barking
Was silence its eyes wet
That narrow, dirty and dark street it rained one night
It rained that street of solitude
Rained missing
Rained missing companion of dog
Candy company for the animal
On November 4th Street there was a free dog chained
Free dog pooch

José de Lima Cardozo Filho

Viralata

Havia um cão na Rua 4 de Novembro
Amarrado
Viralatas
Cão amarelo
Não sabia ladrar
Era silêncio seu olhar úmido
Naquela rua estreita, suja e escura choveu uma noite
Choveu naquela rua de solidão
Choveu saudade
Choveu companheira saudade de cão
Doce companhia para o animal
Na Rua 4 de Novembro havia um cão livre acorrentado
Livre cão viralatas



José de Lima Cardozo Filho
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