Não queria ligar, não seria saudável e eu enfim não saberia se era por um sentimento que parecia continuar a inflar dentro de mim como uma bolha, que dessa vez, eu tinha certeza, não se tratar de puro e simples ego como no começo, mas de uma coisa que eu sabia ainda não estar pronta pra definir e até mesmo encarar, ou se era pura e simples posse, aquela mesma que se tem quando uma amiga pede emprestado “aquele” seu vestido favorito, que você já não usa por ter usado vezes demais, mas que também não quer mais ninguém usando, pela simples noção egocêntrica de que alguém além de você mesma possa vir a ficar bonita e feliz com ele...
Crua e sem remorso, aquela mesma posse da qual um dia eu já tinha sido vítima e que se ligasse e cobrasse pra continuar sendo sempre o centro das atenções eu consequentemente estaria cometendo o mesmo erro, que hoje me pergunto se foi cometido de forma consciente, o que eu me pego acreditando que provavelmente sim, afinal, os loucos sempre sabem de si, mesmo que de relance, e o que é a posse se não uma espécie de patologia? Ainda que inconscientes ou mesmo plenamente conscientes os loucos sabem-se diferentes do resto das pessoas, ás vezes normais e felizes e ás vezes normais e medíocres...E naquele momento,mais do que nos outros, se é que isso fosse possível, eu me sabia louca...Aquela pobre “Crazy Mary”!
Mas, o que tinha me incomodado mesmo, naquela noite que a vida parecia me apertar por dentro, era a pergunta que permeava os meus pensamentos, como as nuvens que permeiam as árvores saudáveis antes de atingi-las com um raio, se eu sabia que havia vítimas de seqüestro que acabavam se apaixonando pelo seqüestrador, pois é foi o que me disseram, que quando uma pessoa é aprisionada do resto do mundo alheia de tudo e de todos, a sua vida passa a depender única e exclusivamente do criminoso, depois disso qualquer ato do raptor vira um ato de salvação. Apesar de ele ser a causa de todo o mal. Fiquei pensando se aquela pessoa do passado havia se visto algum dia como o “seqüestrador” da forma como eu o via agora e que com um único telefonema carregado de ciúme ,de uma diversão que não era necessariamente causada por mim, e impelida de um charme que só eu me via possuindo, eu acabaria me tornando também...
A longo prazo cativar requer tempo, paciência e vontade, mas em primeira instância cativar requer acontecimento e sagacidade, além de um toque de beleza e malícia. E quem cativa primeiro é o dono do cativeiro! Ninguém nunca para pra pensar na etimologia da palavra, mas cativeiro é isso, é aquele “estar-se preso por vontade”.
O que resta saber é se o cativante se tornará o “seqüestrador ” , transformando o cativeiro em gaiola ou se simplesmente deixará o cativado alçar vôo sozinho e voltar quando quiser e se quiser, sem se tornar escravo do sentimento que nutre e sem perder a personalidade na tentativa de fazer que o alvo dos seus pensamentos cotidianos sinta o mesmo.
Porém, todas as vezes que o cativado puder vir a se tornar independente do sentimento que o aprisionou sem perder a capacidade de senti-lo é bem capaz do cativante ter se tornado também um cativado e só então poderá existir aquilo que raramente se ouve falar por aí: Amor Livre!
Anie Line Figueira

Esta é Anie, uma grande (enorme, gigante, pra caralho) amiga nos concedendo um tostão de sua sapiência e iluminação! Pois é isso, a iluminação, quando alguém sintetiza com palavras em perfeita harmonia nosso pensamentos e sentimentos. Obrigado Anie!
ResponderExcluirSeja sempre bem vinda ao Tio na Zona! As portas cibernéticas deste humilde e zoneado blog sempre lhe estarão abertas!
Completadas estão algumas partes do meu entendimento sobre o texto!
ResponderExcluirConcordo plenamente quanto à iluminação Zé, tanto com o conceito quanto com a utiização como adjetivo para as idéias mostradas pelo texto!
Aniezinha minha flor!
Te adoro cada vez mais!