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domingo, 18 de abril de 2010

Vislumbre sem sentido...

Lírios são sempre lírios
Estejam eles em vasos
ou livres na beira de rios


Sonhos são sempre sonhos
Sejam pesadelos deploráveis
Ou sonhos lindos agradáveis

Reinos tem sempre reis
Que trazem até segurança
E no bojo, suas próprias vontades e leis


O tempo... é sempre o tempo
Traz sempre consigo resposta a contento
A toda ansiedade, dúvida, lamento.


Leandro Costa

Ah...

Ah, que eu grite essa saudade em lamentos através de um ataúde
Pois, tua ausência já é tanta que não evita que eu me frustre
E me abra os pulsos em versos loucos e sem saúde
Numa ânsia doentia para que só tu me entendas e escute

Ah, que o capitel de minhas pilastras não encontre fuste
Para que eu não construa templos para um amor tão sem virtude
Incapaz de renascer a cada sorriso teu, não importa o quanto que custe
Tão efêmero e sem eco, que há de morrer sem que ninguém o ajude

Ah, que eu encontre em outros olhos o interesse sem enruste
E que morram nesses olhos meu desejo e amplitude
Pois tais olhos não são teus, não tem ajuste!

Ah, que eu vença esses ‘alguéns’ e latitude
Que esses ‘outros’, são apenas a presença num embuste
E só teu cheiro e teu abraço permanecem em minha pele em amiúde.



Anie Line Figueira

sábado, 17 de abril de 2010

Miragem

Eu sorri num sorriso gargalhado intimamente quando ela me deixou! Devia ter chorado, como fiz da última vez, quando uma outra pessoa me deixou! Mas eu sorri, meio entristecido por ela ter partido, mas feliz por estar livre do pesar de amá-la preso num sentimento sufocante! Por incrível que pareça, eu pareço amadurecido, calejado pelas desventuras amorosas. Acho que deve ser assim mesmo. Quando eu era criança, um dia meu pai me levou para capinar*. No final da tarde, minhas mãos estavam cheias de calos! Meu pai então me chamou e disse: vamos resolver isto! Ele retirou da bainha da cintura um canivete afiado, pediu minhas mãos abertas, num ato passivo, e cortou todos os calos! Ali do lado ele já havia preparado uma pequena bacia com água e sal! Ele disse sério: coloque as mãos aí! Doeu, mas meninos não choram, ele disse! O tempo passou, e nas próximas vezes em que calos se formaram em minhas mãos, elas passavam pelo mesmo ritual. Com o tempo, o cabo da enxada já não podia mais me ferir, pois havia entre ele e eu uma harmonia! Eu estava pronto pra ele finalmente, embora ele já estivesse pronto para mim bem antes.
Creio que deve ser assim no amor. O amor desde sempre esteve pronto para nós, mas nós não estávamos pronto para ele! Aí a gente sofre, passa por maus momentos, mas a cada experiência o amor nos torna mais maduros, mais prontos para ele! Aí, chega um dia, em que haverá uma relação harmoniosa entre a gente e o amor!
Por isso eu ri descontrolavelmente quando ela foi embora! Foi na hora certa, se é que se fora mesmo, disse eu num resmungo íntimo! Pois eu estou compreendendo que o amor nos liberta; não nos faz prisioneiros! Acabamos confundindo os sentidos, por obra do nosso sentimento possessivo, sentimento do qual nos tornamos "cativados". 


"O que penso sobre tudo isso aqui? Penso que era aparentemente só mais um "oásis"! Nada comparado ao "paraíso"! Caminhar em busca do último é necessário! "...navegar é preciso e, viver não é preciso", mas necessário!"


José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Help My Self

Não queria ligar, não seria saudável e eu enfim não saberia se era por um sentimento que parecia continuar a inflar dentro de mim como uma bolha, que dessa vez, eu tinha certeza, não se tratar de puro e simples ego como no começo, mas de uma coisa que eu sabia ainda não estar pronta pra definir e até mesmo encarar, ou se era pura e simples posse, aquela mesma que se tem quando uma amiga pede emprestado “aquele” seu vestido favorito, que você já não usa por ter usado vezes demais, mas que também não quer mais ninguém usando, pela simples noção egocêntrica de que alguém além de você mesma possa vir a ficar bonita e feliz com ele...

Crua e sem remorso, aquela mesma posse da qual um dia eu já tinha sido vítima e que se ligasse e cobrasse pra continuar sendo sempre o centro das atenções eu consequentemente  estaria cometendo o mesmo erro, que hoje me pergunto se foi cometido de forma consciente, o que eu me pego acreditando que provavelmente sim, afinal, os loucos sempre sabem de si, mesmo que de relance, e o que é a posse se não uma espécie de patologia? Ainda que inconscientes ou mesmo plenamente conscientes os loucos sabem-se diferentes do resto das pessoas, ás vezes normais e felizes e ás vezes normais e medíocres...E naquele momento,mais  do que nos outros, se é que isso fosse possível, eu me sabia louca...Aquela pobre “Crazy Mary”!

Mas, o que tinha me incomodado mesmo, naquela noite que a vida parecia me apertar por dentro, era a pergunta que permeava os meus pensamentos, como as nuvens que permeiam as árvores saudáveis antes de atingi-las com um raio, se eu sabia que havia vítimas de seqüestro que acabavam se apaixonando pelo seqüestrador, pois é foi o que me disseram, que quando uma pessoa é aprisionada do resto do mundo alheia de tudo e de todos, a sua vida passa a depender única e exclusivamente do criminoso, depois disso qualquer ato do raptor vira um ato de salvação. Apesar de ele ser a causa de todo o mal. Fiquei pensando se aquela pessoa do passado havia se visto algum dia como o “seqüestrador” da forma como eu o via agora e que com um único telefonema carregado de ciúme ,de uma diversão que não era necessariamente causada por mim, e impelida de um charme que só eu me via possuindo, eu acabaria me tornando também...

A longo prazo cativar requer tempo, paciência e vontade, mas em primeira instância cativar requer acontecimento e  sagacidade, além de um toque de beleza e malícia. E quem cativa primeiro é o dono do cativeiro! Ninguém nunca para pra pensar na etimologia da palavra, mas cativeiro é isso, é aquele “estar-se preso por vontade”.

O que resta saber é se o cativante se tornará o “seqüestrador ” , transformando o cativeiro em gaiola ou se simplesmente deixará o cativado alçar vôo sozinho e voltar quando quiser e se quiser, sem se tornar escravo do sentimento que nutre  e sem perder a personalidade na tentativa de fazer que o alvo dos seus pensamentos cotidianos sinta o mesmo.

Porém, todas as vezes que o cativado puder vir a se tornar independente do sentimento que o aprisionou sem perder a capacidade de senti-lo é bem capaz do cativante ter se tornado também um cativado e só então poderá existir aquilo que raramente se ouve falar por aí: Amor Livre!  


Anie Line Figueira      

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Só o Amor Liberta


Éramos crianças e os nossos sonhos eram razão para nossa liberdade;
as nossas histórias eram motivo de felicidade;
os nossos amores eram a nossa motivação para sonhar
e as nossas almas eram dotadas de sentimentos bonitos
desprovidos de angústias e dores amargas
os nossos movimentos não eram mecânicos
as nossas atitudes eram motivadas pelo nosso ímpeto juvenil
as nossas amizades eram sinceras
e os nossos sentimentos independentes das opiniões alheias.
Mas nós crescemos...
crescemos e perdemos parte daquela inocência infantil que tínhamos quando éramos crianças.
O que aconteceu conosco...
para onde foram nossos sentimentos, as nossas alegrias reais
os nossos amores sinceros...
Quero ter novamente para mim aquilo de que tenho saudades fúnebres.


"No fim, há sempre a possibilidade do início!"

José de Lima Cardozo Filho

Alforria

Quando você olha para trás e não vê pegadas dos seus próprios passos, quando o teu passado não lhe traz o peso da consciência, aí, creia; você fez o que tinha de ser feito! Quando você caminha em direção ao fim com a sensação de que não deixou nada escapar, de que absolutamente nada do que você deveria ter trazido ficou para trás, aí você tem a certeza de que tudo o que fizera foi o correto a se fazer! Quando você vê claramente que outros caminhos nada tinham a lhe oferecer, aí você felicita-se ao saber que fez tudo certo!
Meu pai disse certa vez: "Um homem faz aquilo que tem que fazer. E o que tem de ser feito é o que é certo. Todo mundo sabe o que é certo. Se não o fizer condena-se a si próprio a uma vida mesquinha e distante do que realmente é!"


"Jargões poliméricos em bocas desorientadas e disparadas em frases feitas! Nunca entendera o sentido. Resignou-se na mediocridade da monotonia de inflar o próprio ego. Nunca preocupou-se em fazê-lo realmente grande. Se negara terminantemente a cada oportunidade que tivera. Sorria, este é o livre arbítrio de um mundo livre!"


José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sobre Mim

Virou a esquina e o que lhe sobrara foram sonhos avulsos. A janela está entreaberta. Raio fino de esperança de sentidos esquisitos!


"Na verdade, eu nunca sei bem o que fazer. Tudo parece simplesmente confuso. Raros são os fatos que vejo com a clareza necessária."

José de Lima Cardozo Filho

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Intensa Mente

Se teus sonhos forem todo nessa toada , e se simplesmente quiseres, não adia atender à vontade, pois é vadia uma vida vazia. E se queres como todo, não te enchas com meio. Se não quiseres, vai-te adiante na caminhada que o caminho é todo teu. Não te permitas subtraí-lo de ti mesma! Escolha o caminho da vida e da verdade, ainda que haja loucura na tua viajem.

"Quando aquilo sugiu em meio à boreal, cresceu em mim, apertou o peito, desnorteou sentidos e senti cansaço sem igual!"

José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Vida é Breve

A vida é breve
Apaixona-te, doce senhora,
Equanto os teus lábios ainda estão vermelhos
E antes que tenhas frio.
Porque não existe nenhum amanhã...

*Ikiru, arte cinematográfica memorável e pura de Akira Kurosawa

terça-feira, 6 de abril de 2010

Destino

Cortou como fio de navalha afinada
Furtivo como pensamento veio e tomou devagar cada gole de desejo
E vagou feito fantasma na memória...

José de Lima Cardozo Filho

Menina

Ela fugia da sua realidade em festas. Buscava nas luzes solitárias da boate uma companhia que a fizesse esquecer o caminho, ou que pelo menos a fizesse sentir-se a caminho de algum lugar. Entre cores abstratas do neon fugia da solidão íntima que a pressionava o peito. Sentia-se só, sem saber se havia mesmo alguém. Olhava para os lados e tentava encontrar, mas o que lhe vinha aos olhos era solidão. Mais uma bebida encharcava-lhe os pensamentos como águas de novembro encharcam o chão. Em cada gole uma abstração induzida do seu caminho só. No fim da noite, as luzes de apagaram, o sons se calaram e o silêncio pungente da madrugada pesou sobre sua cabeça embriagada. Voltava pra casa, pra mesma casa de onde saíra há tanto. De onde fugira da solidão. Voltava ali e mais uma vez recostava-se sobre a cama fitando o teto numa tentativa cansada de encontrar respostas. Procurava uma razão para entender o caminho, uma razão que a fizesse sentir o caminho. Entre mergulhos no branco amarelado do teto do quarto em busca do seu mundo encontrou por um instante o mundo no qual ela já não se sentia esquisita. 

Na cidade raiava o dia e ela ainda não dormira. Perturbada pela estranha sensação da esquisitice resolveu então viajar. Deixar nas curvas das estradas seus anseios excêntricos, suas loucuras peculiares. Mas não sabia para onde ir e tudo no caminho lhe parecia desconfortavelmente estranho. Ainda se sentia só! Caíra a noite e com ela toda a solidão que lhe fizera companhia por toda a trilha. E caiu feito pedra. O vento no rosto disfarçava todas as saudades, uma distração travessa que lhe chamava a atenção no cruzamento das vias.

... e seu destino fora mudado pelas luzes do novo mundo. Na "cidade" estranha onde a ruas eram tortas e as pessoas confusas. Ali era seu lugar! 

"Hoje eu sinto um vazio que enche a alma! Saudade, solidão, amor, vontade..."

José de Lima Cardozo Filho
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