Meus amados, tal pergunta, talvez mais do que outras um tanto quanto repetidas (mas nunca clichês) como: “de onde viemos?”, “pra onde vamos?”, continua a permear a inquietude dos seres humanos através dos séculos, trazendo felicidade, desocontentamento, prazer, dor, outras perguntas, mas nunca respostas exatas.
Transbordam definições por todas as formas de arte e comunicação para esse substantivo de abstração descomunal. Tais definições para o amor, hora são mais românticas, hora desconfortáveis de tão realistas; “amor é fogo que arde sem se ver”, “amor é a ilusão de não estarmos sós” são exemplos das várias visões existentes sobre esse sentimento. No entanto, nunca estamos satisfeitos com definições, elas nunca são suficientes. Mas mesmo com a ciência da insatisfação diante das definições, seguimos buscando por elas (à procura da batida perfeita), como se fosse noso destino. Por mais que em certos momentos estejamos mais desesperançosos quanto ao amor e não queiramos sequer tocar no assunto em muitos momentos, vez ou outra nos perguntamos: afinal, o que é, de fato, o amor? Não faço a mínima idéia, já desisti de trabalhar com verdades há algum tempo, prefiro buscar por elas e trabalhar com as versões mais apropriadas da mesma (ou mais recentes, mais belas...). Por isso, penso que a existência do amor importa apenas aos amantes, é uma verdade individual para dois. Cada momento que dizemos “EU TE AMO” a uma pessoa especial com toda sinceridade de nosso ser (cientes que essa é a versão mais próxima que podemos chegar da verdade de nossos sentimentos naquele momento), cada um desses são momentos em que o amor existe – existe inteiro naquele instante. Nesse contexto não mais importa definição alguma, o amor é tudo que queima dentro do ser amante com todas as suas nuances.
Apesar de acreditar na existência amor, mesmo que apenas por estalos de tempo, não me arrisco a fazer afirmações quanto a sua continuidade no tempo, quanto ao seu destino. Por isso não posso dizer que não houve amor numa relação em que não mais existe o sentimento que outrora pulsava, pois penso que o amor pode sim pulsar com vigor, em seguida mais suave e depois calar. Talvez este sentimento seja como uma linha pontilhada, tracejada quem sabe, que necessita de uma distância apropriada para ser enxergada em sua plenitude (bem mais complexo que uma linha, admito, mas a lógica é a mesma). Afinal, a condição de existência de sentimentos e coisas não é a continuidade, a ininterrupção (os namoros que o digam), nem tampouco a eternidade.
O eterno é solvente que dilui pessoas e sentimentos até que fiquem irreconhecíveis, insípidos; como um suco aguado que necessita de uma dica para que se descubra de que é feito ou que seja identificado apenas pela cor. O tempo tem que estar limitado pra que floresça a essência de cada um, de cada sentimento e com o amor não é diferente, pois ele se mostra belo na intensidade, em concentração adequada a cada paladar. A intensidade de um amor é diretamente proporcional à quantidade de corpo e alma diluídos no tempo dedicado à pessoa amada; e a duração do amor, proporcional à capacidade dos amantes de sentir o sabor de corpo e alma nas mais baixas concentrações; um sabor assim suave, sutil, leve.
Nessa versão matemática, parece até simples o amor, e de fato seria, não fosse a dor e o sofrimento da escolha crucial sobre quem será de fato o(a) dono(a) de nossos corpos e nossas almas. Escolha tal que nos divide, traz dor, sofrimento, mas é inevitável, talvez pelo fato de todos termos a capacidade de amar e dedicarmo-nos de corpo e alma a pessoa amada, mesmo que apenas por um tempo. Todavia, dedicar-se é doar-se um pouquinho por vez e, nessa levada, pode ser, repito, pode ser que um dia não mais encontremos a nós mesmos.
Nessa versão matemática, parece até simples o amor, e de fato seria, não fosse a dor e o sofrimento da escolha crucial sobre quem será de fato o(a) dono(a) de nossos corpos e nossas almas. Escolha tal que nos divide, traz dor, sofrimento, mas é inevitável, talvez pelo fato de todos termos a capacidade de amar e dedicarmo-nos de corpo e alma a pessoa amada, mesmo que apenas por um tempo. Todavia, dedicar-se é doar-se um pouquinho por vez e, nessa levada, pode ser, repito, pode ser que um dia não mais encontremos a nós mesmos.
Leandro Costa



