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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Bailarina

Perdi-me por pensamentos
nas teias
tecidas 
fio a fio
arquitetadas sob a medida
exata
perdi-me na lembrança doentia 
do espelho do banheiro
da figura esquálita e pálida do que fora jamais
pois nada fora
antes, tudo
vida afora
fora isso
em nada contradisse
o sentido
julgado pela consciência inapelável. 
Preso
na alma elouquecida
de esquecido que fora, sou
cantei odes à liberdade 
da corte o bobo
que se diverte
em largas gargalhadas
deseperadas
silencioso
como quem guarda e aguarda 
por palavras
sentidas.
Sóbrio:
Esperança, estranha, bailarina!


José de Lima Cardozo Filho

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Weird Freedom

There was a dog on November 4th Street
Tied
Pooch
Yellow dog
Didn’t know barking
Was silence its eyes wet
That narrow, dirty and dark street it rained one night
It rained that street of solitude
Rained missing
Rained missing companion of dog
Candy company for the animal
On November 4th Street there was a free dog chained
Free dog pooch

José de Lima Cardozo Filho

Viralata

Havia um cão na Rua 4 de Novembro
Amarrado
Viralatas
Cão amarelo
Não sabia ladrar
Era silêncio seu olhar úmido
Naquela rua estreita, suja e escura choveu uma noite
Choveu naquela rua de solidão
Choveu saudade
Choveu companheira saudade de cão
Doce companhia para o animal
Na Rua 4 de Novembro havia um cão livre acorrentado
Livre cão viralatas



José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Relicário do Tempo

Ela tinha em sua face desenhado um sorriso falso toda vez que se colocava ante os flashs sufocantes de máquinas fotográficas sedentas. Parecia que queria parecer mais alegre, mais cheia de vida. Parecia querer ser ela mesma naquelas fotografias recortadas. Queria fingir na foto o que figira ser por toda sua vida. Queria parecer dona de si por si, sem necessitar de alguém especial para sorrir sem motivos. Se permitira àquela independência obscura, cuja razão de existir só fazia sofrer os corações que a amaram um dia. Se fechara para alguns sentimentos como se fechara naquele sorriso forçado daquela foto antiga. O seu olhar parecia vazio e revestido de silêncio selênio todas as vezes que falava de amor. As coisas da vida já via com a desconfiança e a amargura de quem se decepcionara antes e não soubera compreender as tantas razões e causas do acaso. Queria ser o que na qual se transformara ao longo de todos os instantes dos últimos tempos anevoados pela poeira de mil rasteiras que a vida se encarregara de lhe dar, por motivos notoriamente desconhecidos por ela e por qualquer um que se diga ter estado vivo um dia. Ora, aquela meiga senhorita de lábios frios, era dona de um sorriso pálido como o beijo sem amor. Quisera ela todo o tempo que seus beijos e seus sorrisos fossem ardentes tais quais o da própria morte. Pois era sem graça aquele sorriso amargo da dormência dementes de uma jovem anciã sonâmbula de 19 anos.


"A vida não faz sentido sem que antes se tenha feito sentida."


José de Lima Cardozo Filho

domingo, 4 de outubro de 2009

Blue

As letras são azuis como o azul do além da imaginação. As letras são pintadas de azul sem sentido. Essa tinta azul melódica em virtudes profundas e agudas. Esse azul colorido de vermelho tinto e amarelo pálido. As letras são azuis como pensamentos esvanescidos de circuitos neuronais cinzas. As letras são azuis como o vermelho sangue da vida. As letras insurgem azuis como o branco reluzente da esperança e da salvação. São azuis essas letras negras da pungência real. São azuis essas coloridas letras. Sim, são azuis. Azuis como a paisagem celeste em noites estreladas de lua cheia. São azuis de cores exuberantes as letras que constroem o amor!


José de Lima Cardozo Filho

sábado, 19 de setembro de 2009

Do Outro Lado

            Não faça força, não esqueça o que não aconteceu. Não me deixe fenecer fantasmagórico no teu esquecimento. Permita-me ser semente nos teus pensamentos mais férteis para quem sabe amanhã ser tua sombra, teu recosto, teu conforto. Pois no teu recosto serei eu mesmo confortado, pois em tua convexidade estranha encontrei a concavidade complexa que há tempos eu procurava. Hoje, cheio de dúvidas e perguntas queria saber se vale a pena este meu devaneio. Não sei, e nem tente me dizer que vale ou mesmo que não vale, pois eu acreditaria como acredito no que dizes aí desse lado...
            Não queria perder o que não é meu: você. Não estou triste, nem mesmo sinto nada, mas o nada que sinto é tão profundo e melancólico; quase súplica de dor, dor silenciosa que eu calo num grito escondido; volte para mim, você que está aí desse lado e que me chega aqui. Volte para mim quando sentires que desejas viver o que escolheu deixar. Pois se vieres querendo e se quiseres vindo eu aqui estarei. Hoje, continuo procurando alguem que ja encontrei, mas que apesar de me chegar aqui e tomar de mim os sonhos se fez partida. Mas eu ainda procuro o que nunca perdi. Então, volta; volta e sê feliz comungando comigo sonhos meus que levastes contigo. Sê feliz comigo como minha mãe é feliz com o eterno amor que há entre ela e meu pai. Pois meu pai me ensinou que apesar das dificuldades, que apesar da dureza dos dias, que apesar da dureza dos homens há algo que nos faz maleáveis e inquebráveis: o amor por uma mulher. E tal amor aproxima o homem de Deus. E por você, que está aí desse lado, eu sinto uma coisa entranha, de tal maneira que quando penso em você, que se faz chegar a mim como queres se fazer quase sem querer, me sinto mais próximo de Deus. E eu posso dizer que se você, que me chega aqui da forma como se fez por uma causa, voltasse para onde nunca esteve, todo o resto seria fácil. Eu sei, você não tem palavras! Mas não as tenha, deixe-me errar só agora.
            Vou-me embora, está tarde e meu espírito encontra-se cansado de tentar mover montanhas com fé nestes tempos de incredulidade. Mas uma coisa quero que saibas; venha para mim, pois eu sou teu lugar mais sublime.



"...Permitir-se viver de fato e permitir-se contentar com que os outros vivam cada um à sua maneira."



José de Lima Cardozo Filho



sábado, 5 de setembro de 2009

Você (Parte 7)

           Quando olho nos olhos de alguém eu vejo o que ninguém mais vê! E o olhar desse alguém se faz tão límpido para mim, então, eu posso ver o toque de Deus ali. Pode ser delírio, pode ser loucura, pode ser amor; tudo redunda! Mas eu vejo que com esse alguém meu próximo se fez mais próximo de minha alma de um jeito meigo e profundo. É isso que tanta gente vê e tenta entender!
           O amor proporciona o invisível aos olhos dos que se permitem a entrega. Pois não se entregar ao amor é se tornar cego, surdo e mudo ao que resplandece, diz e ouve de forma tão aguda e paciente. Não se entregar à vontade do amor é se entregar, por omissão, à mesquinhez, ao egoísmo e à mediocridade. Que cada um escolha o que melhor lhe convier, pois todo homem é livre por natureza e faz de si, em si mesmo, seu melhor através de suas escolhas. Eu escolhi o caminho um tanto tortuoso de ser eu mesmo.


"...que você se sinta sinceramente amada nas minhas palavras, que são a única coisa que posso lhe oferecer ainda, além daquilo que sinto no mais íntimo de mim! E que meus dizeres não sejam vistos como súplica nenhuma, e, sim, como minha forma de te dizer o que não sai de mim na tua presença física, pois nesta, me resta calar e apenas admirar."




José de Lima Cardozo Filho

domingo, 30 de agosto de 2009

Fingimento

Deixe para mim esse fingimento sincero que me traz felicidade
Permita-me o resto do que sobrou, pra eu fingir que é todo
Deixe-me fingir que é teu esse meu amor
Deixe-me fingir que é dor meu sofrimento
Deixe-me fingir que é consciência a minha insanidade
Deixe-me fingir que é liberdade a utopia
Deixe-me fingir que é silêncio minha súplica
Deixe-me fingir que é real a fantasia
Deixe-me fingir que é fartura essa miséria
Deixe-me fingir alegria nessa tristeza
Deixe-me fingir sorriso nessas lágrimas
Deixe-me fingir que é loucura a sensatez
Deixe-me fingir que é luz a ignorância
Deixe-me fingir que é fraqueza a minha força
Deixe-me fingir que é melodia o grito dos desesperados
Deixe-me fingir que é prazer a vaidade
Deixe-me fingir fingido nessa peça
Deixe-me fingir antes que eu desvanesça.





José de Lima Cardozo Filho
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