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sábado, 19 de setembro de 2009

Do Outro Lado

            Não faça força, não esqueça o que não aconteceu. Não me deixe fenecer fantasmagórico no teu esquecimento. Permita-me ser semente nos teus pensamentos mais férteis para quem sabe amanhã ser tua sombra, teu recosto, teu conforto. Pois no teu recosto serei eu mesmo confortado, pois em tua convexidade estranha encontrei a concavidade complexa que há tempos eu procurava. Hoje, cheio de dúvidas e perguntas queria saber se vale a pena este meu devaneio. Não sei, e nem tente me dizer que vale ou mesmo que não vale, pois eu acreditaria como acredito no que dizes aí desse lado...
            Não queria perder o que não é meu: você. Não estou triste, nem mesmo sinto nada, mas o nada que sinto é tão profundo e melancólico; quase súplica de dor, dor silenciosa que eu calo num grito escondido; volte para mim, você que está aí desse lado e que me chega aqui. Volte para mim quando sentires que desejas viver o que escolheu deixar. Pois se vieres querendo e se quiseres vindo eu aqui estarei. Hoje, continuo procurando alguem que ja encontrei, mas que apesar de me chegar aqui e tomar de mim os sonhos se fez partida. Mas eu ainda procuro o que nunca perdi. Então, volta; volta e sê feliz comungando comigo sonhos meus que levastes contigo. Sê feliz comigo como minha mãe é feliz com o eterno amor que há entre ela e meu pai. Pois meu pai me ensinou que apesar das dificuldades, que apesar da dureza dos dias, que apesar da dureza dos homens há algo que nos faz maleáveis e inquebráveis: o amor por uma mulher. E tal amor aproxima o homem de Deus. E por você, que está aí desse lado, eu sinto uma coisa entranha, de tal maneira que quando penso em você, que se faz chegar a mim como queres se fazer quase sem querer, me sinto mais próximo de Deus. E eu posso dizer que se você, que me chega aqui da forma como se fez por uma causa, voltasse para onde nunca esteve, todo o resto seria fácil. Eu sei, você não tem palavras! Mas não as tenha, deixe-me errar só agora.
            Vou-me embora, está tarde e meu espírito encontra-se cansado de tentar mover montanhas com fé nestes tempos de incredulidade. Mas uma coisa quero que saibas; venha para mim, pois eu sou teu lugar mais sublime.



"...Permitir-se viver de fato e permitir-se contentar com que os outros vivam cada um à sua maneira."



José de Lima Cardozo Filho



sábado, 5 de setembro de 2009

Você (Parte 7)

           Quando olho nos olhos de alguém eu vejo o que ninguém mais vê! E o olhar desse alguém se faz tão límpido para mim, então, eu posso ver o toque de Deus ali. Pode ser delírio, pode ser loucura, pode ser amor; tudo redunda! Mas eu vejo que com esse alguém meu próximo se fez mais próximo de minha alma de um jeito meigo e profundo. É isso que tanta gente vê e tenta entender!
           O amor proporciona o invisível aos olhos dos que se permitem a entrega. Pois não se entregar ao amor é se tornar cego, surdo e mudo ao que resplandece, diz e ouve de forma tão aguda e paciente. Não se entregar à vontade do amor é se entregar, por omissão, à mesquinhez, ao egoísmo e à mediocridade. Que cada um escolha o que melhor lhe convier, pois todo homem é livre por natureza e faz de si, em si mesmo, seu melhor através de suas escolhas. Eu escolhi o caminho um tanto tortuoso de ser eu mesmo.


"...que você se sinta sinceramente amada nas minhas palavras, que são a única coisa que posso lhe oferecer ainda, além daquilo que sinto no mais íntimo de mim! E que meus dizeres não sejam vistos como súplica nenhuma, e, sim, como minha forma de te dizer o que não sai de mim na tua presença física, pois nesta, me resta calar e apenas admirar."




José de Lima Cardozo Filho

domingo, 30 de agosto de 2009

Fingimento

Deixe para mim esse fingimento sincero que me traz felicidade
Permita-me o resto do que sobrou, pra eu fingir que é todo
Deixe-me fingir que é teu esse meu amor
Deixe-me fingir que é dor meu sofrimento
Deixe-me fingir que é consciência a minha insanidade
Deixe-me fingir que é liberdade a utopia
Deixe-me fingir que é silêncio minha súplica
Deixe-me fingir que é real a fantasia
Deixe-me fingir que é fartura essa miséria
Deixe-me fingir alegria nessa tristeza
Deixe-me fingir sorriso nessas lágrimas
Deixe-me fingir que é loucura a sensatez
Deixe-me fingir que é luz a ignorância
Deixe-me fingir que é fraqueza a minha força
Deixe-me fingir que é melodia o grito dos desesperados
Deixe-me fingir que é prazer a vaidade
Deixe-me fingir fingido nessa peça
Deixe-me fingir antes que eu desvanesça.





José de Lima Cardozo Filho
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