Páginas

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Caipira não sabe pedir

Ah, seu oiá, morena facera
Posto eu arriado, matutano solito
Vi, com este zóio, morena
Uma estrela desgarrano do céu
Um rabisco brioso naquele escuro só
Vê só ocê, morena
Eu que num cridito munto nessas coisa, bobage de criança, cê sabe
Fiz um pidido ligêro
Que se eu, de sorte filiz que fô, tiver um poquin do seu querê
Nem que seja um tantin assim
Que ocê seja só pra mim e eu só procê
Pra nóis juntinho vivê
Inté que eu o seu zóin pare de vê.

José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sometimes

Não rara tristeza que recai sobre a alma
De tantas decepções
Vazios existenciais de discursos:
A lógica dos argumentos apelativos
A defesa de pontos de vista tortos;
Nada disso vale aquilo a que se propõe.
São nada além enfrentamentos sem sentido
“Tô” desanimado
Alma pesada,
Como se derrepente um saco de areia pesasse sobre o centro metafísico de mim
Como um soco no estomago
Só que sem dor
Sem sofrimento
Apenas cansaço e certa indiferença
Queria, deixa-me ver...
Vontade de colo da mãe
Estar em silencio para o resto dos dias
Como antes, antes do nascimento
Só isto me bastaria agora.
Só estar, em silencio!
Diluir-me no todo;
Deixar de existir;
Existindo em algo maior do qual já não fosse mais permitido que me distiguissem ali.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os lados escondidos da moeda

Eis que os ventos do acaso sopraram, fazendo içar as velas da liberdade. Navegar é preciso? Seguir viagem. Velas içadas, vento em poupa; marinheiros a postos? Precisa-se de um leme e cartas; afinal, o destino está escrito, não é? Mas, enfim, quem pode dizer bem sobre ventos, velas e cartas?

José de Lima Cardozo Filho

sábado, 26 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poema Seu


C
omo fazes tu versos e poemas? Por acaso?Tu que escreves, sabes que escreves o que lê quem vê com olhos outros que não os da pena acunhada por entre teus dedos? Pois são por acaso, esses versos teus que escrevi! Quando soube ser teu amor por mim utópico, resolvi traçar linhas sobre este sentimento fugaz que lhe tenho. Que ironia, mesmo, o acaso de horas fortuitas! Sabias, por um acaso, que és tu acaso de meus sentimentos? Tu o sabes? Ou será que ainda não conheces os acasos de teu destino? Evidente que não, não é? Por que perguntas, assim? Não o são, não, na verdade. São respostas. Duvidosas, claro! Não poderia revelar-te segredos, assim, claros. Mas deves encucar-te com tamanha burrice a minha. De que me serve saber que digo em palavras cruzadas se não me serve em lhe tornar ciente sobre o que em meus sentidos nasceu por ti? De que vale saber dizer escondido o que deveria lhe contar às claras do que sinto? Oh, vedes o quão é difícil ser assim, eu? Vedes o meu sofrimento tranqüilo e voluntário? 

                                                    José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O passado às lembranças...


O
h, senhorita! Quem és tu, para invadir novamente meus sentimentos assim. Aconselho-te que reveja tuas idéias, toma o caminho pelo qual chegaste até aqui e retorna para o lugar de onde saiu. Pois eis que vieste em tantas noites de lua por estas paragens e se fora ao romper da aurora, deixando só este sobre o qual tua alma se recostava para descansar. Vá e não venha ter comigo novamente. Cansas nossos espíritos com olhares e sorrisos que dispensam as palavras e depois as invocam pra justificá-los. Vá e leva contigo o que restou. Leva contigo toda a semente deste amor que não foi semeada, pois não vingou o que foi jogado ao chão. Leva como lembrança daquilo que não houve e deixe guardado em segredo. Que fique a sete chaves em tua mente. Pois não é mais tempo de semear. Então, que não vão ao chão estas sementes mal fadadas. 


"A verdade, e somente a verdade, vos libertará!"
José de Lima Cardozo Filho
Powered By Blogger