Ela tinha em sua face desenhado um sorriso falso toda vez que se colocava ante os flashs sufocantes de máquinas fotográficas sedentas. Parecia que queria parecer mais alegre, mais cheia de vida. Parecia querer ser ela mesma naquelas fotografias recortadas. Queria fingir na foto o que figira ser por toda sua vida. Queria parecer dona de si por si, sem necessitar de alguém especial para sorrir sem motivos. Se permitira àquela independência obscura, cuja razão de existir só fazia sofrer os corações que a amaram um dia. Se fechara para alguns sentimentos como se fechara naquele sorriso forçado daquela foto antiga. O seu olhar parecia vazio e revestido de silêncio selênio todas as vezes que falava de amor. As coisas da vida já via com a desconfiança e a amargura de quem se decepcionara antes e não soubera compreender as tantas razões e causas do acaso. Queria ser o que na qual se transformara ao longo de todos os instantes dos últimos tempos anevoados pela poeira de mil rasteiras que a vida se encarregara de lhe dar, por motivos notoriamente desconhecidos por ela e por qualquer um que se diga ter estado vivo um dia. Ora, aquela meiga senhorita de lábios frios, era dona de um sorriso pálido como o beijo sem amor. Quisera ela todo o tempo que seus beijos e seus sorrisos fossem ardentes tais quais o da própria morte. Pois era sem graça aquele sorriso amargo da dormência dementes de uma jovem anciã sonâmbula de 19 anos.
"A vida não faz sentido sem que antes se tenha feito sentida."
José de Lima Cardozo Filho