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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Tudo o que almeja alma


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A alma
Vaga
Não há vaga!
Não há alma!

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Usa teu brinquedo
Porquanto dura
Duro e inquebrável,
Porquanto
Exista comigo
Ímpar

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Transitam Sussurros!
Enquanto transitas por mim.
Discretamente, toma teu prazer,  
Louca a dizer sim.

Deixa-me em ti entrar
teu armário de certezas bagunçar .
Faça teu fio de aço brando
Da-me teus gumes brandindo, bradando.

_______  _______

Necessariamente,
Satisfaça-me:
Despeja teu deleite.
Viva!
É a vida.


Maçã


Sentimento
Cinto
Sinto
Aperto

**
A noite
Os olhos
O flerte
O novo

**
O portão
O pesar
E o Adeus






domingo, 11 de março de 2012

Amizade

Pensei-te
Imagem feita
Dentro não estava
Mas, sobre
Alma perfeita
Abriu um sorriso
E ali estava eu;
De peito aberto!
Seja qual for o sentido que tomem
Dois ou três goles lhos terão bastado
Depois disso
Talvez tenham sede

 

domingo, 4 de março de 2012

In memoriam

É pontual 
O tempo censurado
Tique-taque, Tique-taque!
Passa tempo
Marca o passo da gente
Que a gente passa
Ding-dong, Ding-dong


sexta-feira, 2 de março de 2012

O paradoxo de Flores

As Flores todas
Perfumadas de combinatória e arranjo.
Flores,
És ím-par!
Mas, perante o fio do juízo frio,
Equivalem-se
As Flores todas.

Ironia

Ironia é a primavera árabe... 
Ironia, mesmo, são as flores sem amor, cheias de conceito e ocas de sentido! 
Mas, quem se importa?


Zé

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Flores

De ti,
Flores! 
Furtar-te-ei do que te transcende às lembranças 
Levar-te-ei nos espectros quase intactos de tuas cores 
Ou no rastro labiríntico dos teus voláteis
Levar-te-ei também em teus sabores e sons mnemônicos
Flores!
Levar-te-ei comigo nos dias vindouros
Como memória
Ou refúgio


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Talvez platônico I

Eu a havia lido numa peça.
A amara disfarçadamente desde os sinônimos primeiros de suas entrelinhas.
Como, enfim, se fizeram combinar as palavras nos versos
Pra que rimassem como ela?
Sua beleza, em folhas nobres palavreada, fulgaz fenecera.
Mas o abstrato da beleza se eternizara em sentido metafísico
Doutra obra em que a lera.
Dali em diante,
Traduziu-se em saudade,
Eu nada mais entendera...
Mas conta-se sobre ela,
Que viu o tempo apressar-lhe o passo espaço afora
E que sabia interpretar sua comédia lírico-louca
Como quem compreende pouco e sente muito.
Também, pudera?!


"Escrevi para ti tantas vezes. Escondi todas as cartas, sufoquei-lhes as palavras! E você não vem..."

José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Caipira não sabe pedir

Ah, seu oiá, morena facera
Posto eu arriado, matutano solito
Vi, com este zóio, morena
Uma estrela desgarrano do céu
Um rabisco brioso naquele escuro só
Vê só ocê, morena
Eu que num cridito munto nessas coisa, bobage de criança, cê sabe
Fiz um pidido ligêro
Que se eu, de sorte filiz que fô, tiver um poquin do seu querê
Nem que seja um tantin assim
Que ocê seja só pra mim e eu só procê
Pra nóis juntinho vivê
Inté que eu o seu zóin pare de vê.

José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sometimes

Não rara tristeza que recai sobre a alma
De tantas decepções
Vazios existenciais de discursos:
A lógica dos argumentos apelativos
A defesa de pontos de vista tortos;
Nada disso vale aquilo a que se propõe.
São nada além enfrentamentos sem sentido
“Tô” desanimado
Alma pesada,
Como se derrepente um saco de areia pesasse sobre o centro metafísico de mim
Como um soco no estomago
Só que sem dor
Sem sofrimento
Apenas cansaço e certa indiferença
Queria, deixa-me ver...
Vontade de colo da mãe
Estar em silencio para o resto dos dias
Como antes, antes do nascimento
Só isto me bastaria agora.
Só estar, em silencio!
Diluir-me no todo;
Deixar de existir;
Existindo em algo maior do qual já não fosse mais permitido que me distiguissem ali.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os lados escondidos da moeda

Eis que os ventos do acaso sopraram, fazendo içar as velas da liberdade. Navegar é preciso? Seguir viagem. Velas içadas, vento em poupa; marinheiros a postos? Precisa-se de um leme e cartas; afinal, o destino está escrito, não é? Mas, enfim, quem pode dizer bem sobre ventos, velas e cartas?

José de Lima Cardozo Filho

sábado, 26 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Poema Seu


C
omo fazes tu versos e poemas? Por acaso?Tu que escreves, sabes que escreves o que lê quem vê com olhos outros que não os da pena acunhada por entre teus dedos? Pois são por acaso, esses versos teus que escrevi! Quando soube ser teu amor por mim utópico, resolvi traçar linhas sobre este sentimento fugaz que lhe tenho. Que ironia, mesmo, o acaso de horas fortuitas! Sabias, por um acaso, que és tu acaso de meus sentimentos? Tu o sabes? Ou será que ainda não conheces os acasos de teu destino? Evidente que não, não é? Por que perguntas, assim? Não o são, não, na verdade. São respostas. Duvidosas, claro! Não poderia revelar-te segredos, assim, claros. Mas deves encucar-te com tamanha burrice a minha. De que me serve saber que digo em palavras cruzadas se não me serve em lhe tornar ciente sobre o que em meus sentidos nasceu por ti? De que vale saber dizer escondido o que deveria lhe contar às claras do que sinto? Oh, vedes o quão é difícil ser assim, eu? Vedes o meu sofrimento tranqüilo e voluntário? 

                                                    José de Lima Cardozo Filho

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O passado às lembranças...


O
h, senhorita! Quem és tu, para invadir novamente meus sentimentos assim. Aconselho-te que reveja tuas idéias, toma o caminho pelo qual chegaste até aqui e retorna para o lugar de onde saiu. Pois eis que vieste em tantas noites de lua por estas paragens e se fora ao romper da aurora, deixando só este sobre o qual tua alma se recostava para descansar. Vá e não venha ter comigo novamente. Cansas nossos espíritos com olhares e sorrisos que dispensam as palavras e depois as invocam pra justificá-los. Vá e leva contigo o que restou. Leva contigo toda a semente deste amor que não foi semeada, pois não vingou o que foi jogado ao chão. Leva como lembrança daquilo que não houve e deixe guardado em segredo. Que fique a sete chaves em tua mente. Pois não é mais tempo de semear. Então, que não vão ao chão estas sementes mal fadadas. 


"A verdade, e somente a verdade, vos libertará!"
José de Lima Cardozo Filho

domingo, 31 de outubro de 2010

Utopia

     Quem sabe quando podemos ser contaminados pelo bichinho da utopia? Como explicar a sensação de fracasso e frustração de viver num mundo sem limites e ao mesmo tempo limitado a ponto de impedir movimentos que se faça no sentido de alcançar a realidade de um sonho? Como explicar o sabor amargo da excentricidade? Como dizer a si mesmo que o tempo em que estivera na batalha da busca pela felicidade não passara de um sonho, e que neste, fostes derrotado pelas forças do "acaso"? Por que motivo acreditar no acaso do futuro, quando, na verdade, não se acredita nem na própria constatação da doçura do presente? E o presente? Quem nos deu esse presente nostálgico, que nos faz sentir saudades do que nunca tivemos?
      Tantas perguntas me remetem a acreditar que todo tempo estive sedado, e que agora acordado, ainda meio anestesiado, começo a ver a dura realidade; implacável se faz sentida e arranca a inocência de sonhador. É difícil acreditar que durante um momento da eternidade estive sob domínio da utopia. Em saber que tudo poderia ter sido real. Em pensar que no raio de um instante tudo esteve tão perto e que por um segundo pude experimentar o calor indistinto de ser feliz. Ela estava ali; tão próximo quanto poderia estar. Era a personificação da beleza e perfeição com que sonhara há tempos. Bastava um olhar em sua direção para saber que se eu a tivesse para mim, nada mais importaria, pois nela, havia um brilho, um sabor, um cheiro, um som. Um brilho que fazia vibrar, um sabor que fazia derreter, um cheiro que fazia entorpecer, um som que fazia em devaneios no próprio sonho.
      O mundo dos sonhos são como labirintos, quando dentro dele nos sentimos perdidos na doce ilusão de ser quem não somos, de ter quem ou o que não temos, de ver o que não vemos, de viver o que não vivemos. Tal qual os labirintos, o mundo dos sonhos nos faz perder a noção da realidade, embaraçando nossos sentidos e nos entorpecendo de forma elouquecedoura.
      Não raros são os dias em que no sentimos alquimistas ridículos, que acreditam em coisas ‘impossíveis", e não obstante, arrastamos um monte de pessoas fazendo-as acreditar também na a promessa de algo tão incerto quanto à megalomania dos nossos sonhos. Importante é sonhar. Mas, porque sonhar? Porque sonhar quando na verdade o que conta mesmo afinal de contas, é a beleza gélida da realidade? Talvez, porque somos dependentes de algo que nos faça acreditar no que podemos realizar com a força da vontade e da fé, mesmo que no decorrer dos anos nunca consigamos provar isso.
      Ver a realidade  num plano diferente dos nossos sonhos, e se conscientizar disso, nos induz a experimentar o gosto adstringente de uma derrota sem luta, uma dor aguda sem analgésico que a faça cessar, uma fraqueza na carne que nos faz tremer de medo, um medo estranho do depois. O silêncio em nossa alma grita estridentemente, buscando por respostas que o tempo insiste em nos dar de forma parcelada, o que nos leva quase à loucura de tanta ansiedade. Difícil mesmo, é quando se sofre calado e sozinho num canto, desnorteado, e apesar da enorme vontade que se sente de gritar como um louco ou mesmo chorar copiosamente, o grito fica contido no peito e as lágrimas insistem em não cair. Os dias vem e vão, mas no deserto da desilusão a escuridão da noite se faz presente, como um presente dos deuses do mundo  inferior. Se se sente sede ou fome, não há líquido ou comida que nos satisfaça, pois a única coisa capaz saciar nossas necessidades não passa de um sonho, uma miragem, uma ilusão. Pura obra da ironia do senhor destino, que sabe-se lá o porquê, resolve satirizar nossas vidas com brincadeiras de mau gosto. Não é complicado entender tudo isso, complicado mesmo é aceitar. Aceitar como vacas de presépio. Aceitar as circunstâncias, por mais desagradáveis que sejam, confiantes em meio a vendavais, crentes de que acima das nuvens escuras há um sol que brilha.


"Ocê talvez não conhece o veneno que as cobras têm,
Pois elas quando dá o bote balança o guizo também,
A cascavel, traiçoeira quando ela quer se vingar,
Balança o guizo contente na hora dela pegar;
A urutú é perigosa, de ruim não se manifesta
É cobra tão venenosa que traz uma cruz na testa
Jaracuçu Deus nos livre quando ele chega a picar
Deixa o sinal de seus dentes e a cicatriz no lugar;
Mas eu lhe digo a verdade, por cobra eu já fui picado;
Por cascavel, caninana e urutú este malvado;
De todas já me livrei desse veneno amargura
Existe um contra-veneno por isso tudo se cura;
Mas tem uma cobra do mato, cabocla lá do sertão
Que traz veneno nos olhos e ataca no coração
Dessa uma vez fui picado, um dia só por maldade
Que ainda trago o veneno, na cicatriz da saudade
."

(Tião Carreiro & Pardinho, Cobra Venenosa)

José de Lima Cardozo Filho

sábado, 23 de outubro de 2010

Apreço Batido

Norte;
Ninguém, exceto Propósito
Silêncio!
Saiu por aí; ninguém mais viu.
Seguiu linha reta, invisível, sem distinção
dobrou a esquina
pintou o sete
Foi Rio Abaixo
Encontrar-se.

sábado, 16 de outubro de 2010

Um Micélio Oportunista

O que é o que é?
O que é o que parece ser? Não é?!
É fato passado, perpétuo
Passeia passarinho
Ainda pulsa o pulso firme
Eeô vida de gado
Elo democrático, festim
Viva,
É campanha eleitoral
 Na boca do povo, na voz de "deus"
Exímio rótulo comercial
O que é o que é?

 
"Há aqueles de toda estirpe!"

 
José de Lima Cardozo Filho

 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Experiência e Os Outros

Sentimentos alheios não fazem muito sentido sob a ótica egocêntrica que nos toma pensamentos e razão! Compreender aquilo que está para além das fronteiras de nossos macrosentidos é exercício árduo e moroso. Demanda vontade! Não é?

"Eu era um menino e agia feito um infante; e agora, José?"

José de Lima Cardozo Filho

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Mentira e A Verdade

      - (...)!

      - Ela mentiu. Com a coragem que a distância deu, ela mentiu descaradamente!

      - Queres a verdade? Tens força suficiente para aguentar a densidade da verdade?

      - (...)

      - Poupe-se então da verdade, e sê feliz.

"`A verdade é bem uma maldição com a qual poucos conseguem lidar harmoniosamente!"


José de Lima Cardozo Filho
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